Autor: wolmkt

  • Guia Rápido #6: Spodoptera frugiperda, a mais importante Spodoptera em milho.

    Guia Rápido #6: Spodoptera frugiperda, a mais importante Spodoptera em milho.

    Foto: James Castner

     

    Este inseto-praga teve a sua representatividade na agricultura aumentada principalmente devido a dois fatores: a espécie passou a ter maior resistência aos inseticidas e, com a intensificação da cultura do milho (mais de um ciclo de cultivo anual), os cultivos sucessivos ocasionaram a sobrevivência e o fluxo das populações das mariposas de S. frugiperda entre as culturas hospedeiras, independente da fase de desenvolvimento das plantas e época de cultivo.

    O ciclo de vida de S. frugiperda é relativamente curto, levando em torno de 25 a 30 dias para se completar. O período larval varia de 15 a 25 dias, com 4 a 7 ínstares. Esse período varia dependendo da temperatura, planta hospedeira, sexo e biótipo.

    As fêmeas realizam postura em massa na página superior das folhas, com aproximadamente 200 a 300 ovos. O período de incubação dos ovos é de aproximadamente 3 dias, sendo que estes são de coloração verde-clara e passam para alaranjado após algumas horas da oviposição. A longevidade dos adultos é de aproximadamente 12 dias, no qual as fêmeas ovipositam mais de 1000 ovos, o que faz com que a espécie apresente elevado potencial reprodutivo.

    A identificação visual desta espécie na fase imatura (e que causa danos) é realizada pela coloração das lagartas, sendo que no primeiro ínstar são de coloração clara e passam para pardo-escuro ou quase pretas, com presença de listras claras no dorso e pontuações escuras em todo o corpo, incluindo 4 pontos pretos no abdome, dispostos em quadrado. Além disso, apresentam uma característica marcante de um “Y” invertido na parte frontal da cabeça, e apresentam hábito noturno.

    As pupas são de coloração marrom-avermelhada e ficam abrigadas no solo por aproximadamente 10 dias.

    Os adultos de S. frugiperda são mariposas com alta mobilidade, com as asas anteriores de coloração cinza escuro e posteriores branco acinzentadas. São pequenas, medindo em torno de 4 cm de envergadura.

    Uma dica para identificação dessa praga na área é a presença de excrementos que são deixados nas folhas pela lagarta.

    Foto: Experimento de Doutorado de Jackellyne Bruna Sousa

    Danos

    Os danos da Spodoptera frugiperda no milho quando em alta infestação são muito significativos, podendo atingir perdas de 40 até 60% na produção. O período de maior ocorrência da espécie é entre outubro e janeiro, mas também podem ocorrer altas infestações na segunda safra de milho, caso haja condições ideais para o desenvolvimento da praga, sendo estas: baixa precipitação, altas temperaturas durante o dia e temperaturas amenas durante a noite.

    Quando presente na época de emergência das plântulas de milho, pode causar danos cortando as plântulas e reduzindo o estande (hábito semelhante ao da Agrotis ipsilon). Também pode perfurar a base da planta atingindo o ponto de crescimento e provocando o sintoma de “coração morto” (similar ao dano da Elasmopalpus lignosellus). Já durante a fase vegetativa, os danos diretos de S. frugiperda são os furos que elas fazem no cartucho, que podem causar destruição total do cartucho, e a raspagem das folhas, para alimentação. Normalmente encontra-se apenas uma lagarta por cartucho, pois essa espécie apresenta canibalismo na fase larval.

    Na fase reprodutiva, deve ser tomado um cuidado adicional durante o início do florescimento, pois neste período as lagartas migram das folhas e entram nas espigas, podendo se alimentar das mesmas, cortar os estilo-estigmas (não permitindo a fecundação) e dessa forma reduzir o potencial de produção dos grãos ou provocar perda quase total. A partir de R3 as lagartas não conseguem mais penetrar na palha da espiga e o dano fica restrito apenas na ponta da espiga.

    Um dano secundário, mas também representativo, é a entrada de microrganismos pelas injúrias causadas pela lagarta, que reduzem a qualidade dos grãos.

    Em soja, S. frugiperda é a espécie mais presente no início do desenvolvimento da cultura, mas pode ocorrer em qualquer fase da cultura. Nessa cultura as lagartas alimentam-se inicialmente das folhas e depois passam a consumir também vagens em início de formação.

    No algodoeiro, a Spodoptera frugiperda pode alimentar-se de folhas, de botões florais e, principalmente, de maçãs em formação. Como as lagartas ficam no interior do dossel e das maçãs, o contato com os inseticidas via pulverização fica reduzido, dificultando o controle nessa cultura.

    Controle

    A melhor forma de controle de pragas é o MIP (manejo integrado de pragas), onde o mais importante é manter as populações de pragas em um limite compatível com a produção econômica da cultura, para também favorecer a manutenção da qualidade ambiental.

    Porém, o controle de S. frugiperda por vezes tem sido realizado logo que detectada a sua presença no campo e em geral com aplicação de produtos químicos, pela falta de conhecimentos básicos para o manejo, como dinâmica populacional, planos de amostragens e nível de controle. Isso fez com que nos últimos anos tenham se tornados mais frequentes os relatos de indivíduos resistentes no campo e, devido a isso, com frequência os inseticidas têm apresentado falhas de controle.

    Algumas das possíveis causas para o aumento de indivíduos resistentes são a má regulagem dos equipamentos, a escolha incorreta de produtos químicos e a condução nem sempre adequada da cultura, o que têm aumentado o número médio de aplicações de inseticidas, sem um adequado controle da praga. Tem sido documentados resistência em populações de S. frugiperda até >40% para inseticidas dos principais grupos químicos: carbamatos, organofosforados, piretroides, spinosinas e inibidores de síntese de quitina. Outra possível causa da resistência a inseticidas e também a plantas Bt ocorre em consequência de pulverizações de inseticidas com mesmo mecanismo de ação. Dessa maneira, conhecer o ciclo da praga, realizar o MIP (manejo integrado de pragas) e implementar estratégias de manejo da resistência são as formas mais eficientes para um controle adequado de S. frugiperda.

    Algumas estratégias de manejo da resistência para garantir a durabilidade das táticas de controle são: manter períodos no campo sem plantas hospedeiras da praga; alternar o uso de inseticidas com diferentes mecanismos de ação; usar as doses recomendadas para cada inseticida e priorizar o uso de inseticidas seletivos visando a preservação de inimigos naturais; Implementar áreas de refúgio recomendadas para a preservação da suscetibilidade da praga as proteínas de Bt (favorecendo a durabilidade dessas tecnologias para o MIP); dar preferência para os cultivos Bt que expressam mais de uma proteína inseticida para o controle de pragas; estabelecer essas estratégias de manejo em âmbito regional, devido a praga possuir alta mobilidade; planejar rotação de culturas para garantir um período do ano sem plantas hospedeiras de S. frugiperda.

    Os dois períodos críticos para o manejo de controle da lagarta-do-cartucho no milho são:

    – No estádio vegetativo: da emergência das plântulas até 30 dias após a semeadura (VE até V6), onde podem ocorrer danos significativos nas folhas e no colmo do milho;

    – No estádio reprodutivo: de uma semana antes até duas semanas após o florescimento (V15 até R2), onde podem ocorrer grandes perdas por danos nas espigas, totalizando cerca de 20 dias.

    Para este inseto, o nível de controle recomendado é de 20% de incidência de plantas raspadas.

    Entre os agentes de controle biológico para esta praga, tem sido alvo de pesquisas o vírus de poliedrose nuclear de S. frugiperda (VPNSf), que tem apresentado um bom potencial de controle.

    Os principais agentes reguladores da população de S. frugiperda encontrados naturalmente no campo são tesourinha (Doru luteipes), que predam predando ovos e lagartas de primeiro ínstar; e alguns coleópteros e hemípteros que predam lagartas. Alguns parasitóides que participam do controle natural da lagarta-do-cartucho são Trichogramma pretiosum, T. atopovirilia e Telenomus remus, que parasitam ovos; e Campoletis flavicincta, que parasita lagartas.

     

    Pesquisas com Spodoptera frugiperda

    As pesquisas para desenvolvimento de novos produtos biológicos ou químicos com maior especificidade são importantes para o controlar altas infestações de S. frugiperda nas culturas e para tornar a agricultura mais sustentável. A Pragas.com apoia essas pesquisas e para ajudar a viabilizá-las, mantém em seu portifólio a espécie S. frugiperda e demais insumos, como dieta artificial própria para esta espécie, gaiolas e bandejas para criações e/ou condução de experimentos.

    Quer saber mais? Entre em contato com a gente e solicite um atendimento!

     

     

    Este artigo teve como referências: 

    http://www2.senar.com.br/Noticias/Detalhe/13081/

    https://www.agro.bayer.com.br/alvos/lagarta-do-complexo-spodoptera#tab-2

    https://www.irac-br.org/spodoptera-frugiperda

    https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-204X1999001100001&lng=pt&tlng=pt

    revistas.ufg.br/pat/article/view/59517

    http://www.agricenterseberi.com.br/noticia/1085/lagartadocartucho

    https://www.scielo.br/pdf/ne/v39n6/v39n6a23.pdf

    https://maissoja.com.br/prioridades-lagarta-do-cartucho-spodoptera-frugiperda-em-milho

     

  • Guia Rápido #5: Conheça a Lagarta Elasmo (Elasmopalpus lignosellus), praga subterrânea que ataca o colo das plantas.

    Guia Rápido #5: Conheça a Lagarta Elasmo (Elasmopalpus lignosellus), praga subterrânea que ataca o colo das plantas.

    Foto: Victória Previatti

    Sua distribuição geográfica é bem restrita, estando limitada às regiões temperadas e tropicais do Hemisfério Ocidental.

    A ocorrência dessa praga é favorecida em solos arenosos e períodos secos durante o estabelecimento da cultura, especialmente quando ocorre veranicos. O teor de umidade no solo influencia diretamente na intensidade de seu ataque, sendo que em sistema de plantio direto sua infestação é muito reduzida quando comparada ao plantio convencional. Áreas com irrigação também reduzem a incidência.

    Seus ovos são ovais, com coloração branco-esverdeado, passando para vermelho escuro próximo a eclosão das lagartas. A maioria dos ovos são depositados no solo e eclodem cerca de 3 dias após a oviposição.

    As lagartas são muito ativas e, quando tocadas, movimentam-se incessantemente por alguns segundos, sendo essa uma característica de defesa. Passam por seis instares, sendo esse período muito influenciado pela temperatura. Logo após a eclosão, apresentam coloração amarelo-palha com listras vermelhas. Posteriormente tornam-se esverdeadas com anéis e listras vermelho escuras. No sexto instar, sua coloração varia de verde-claro ao turquesa, apresentando listras longitudinais com faixas marrons ou arroxeadas, com cápsula cefálica variando do marrom ao preto (DIXON 1982; BESSIN, 2004).

    A pupa apresenta coloração marrom e próximo a eclosão dos adultos ficam pretas. Essa fase ocorre no solo, dentro de uma câmara construída pela lagarta, feita com teia, partículas de solo e restos culturais. Permanecem nessa fase durante oito a dez dias.

    Os adultos são mariposas que medem cerca de 17mm a 22mm e são bastante ativos durante a noite. Quanto a coloração, apresentam diferenças entre macho e fêmea: as asas anteriores dos machos são amareladas enquanto as fêmeas apresentam asas anteriores escuras e posteriores com coloração cinzenta.  Também apresentam dimorfismo sexual quanto aos palpos labiais, que são eretos e mais longos nos machos do que nas fêmeas.

    Baixa velocidade do vento, baixa umidade relativa do ar, temperatura em torno de 27ºC e completa escuridão são condições ideais para o acasalamento e oviposição do inseto, ocorrendo, respectivamente, no final da noite e no início.

    As fêmeas irão iniciar a oviposição dois dias após a emergência, sendo que o pico de postura acontece durante o quarto e quinto dia.

    Danos

    Considerada uma praga subterrânea, inicialmente raspam as folhas, descendo em seguida para um pouco abaixo do nível do solo onde ataca o tecido vegetal próximo ao colo da planta, por isso é conhecida como Broca-do-colo. Como seu movimento ocorre no solo, uma lagarta pode atacar de 3 a 5 plantas por ciclo.

    A lagarta penetra no colmo, onde abre galerias no interior da planta. Os danos causados podem destruir a região de crescimento da planta ou afetar a condução de água e nutrientes com a destruição total ou parcial de tecidos meristemáticos. A severidade do dano depende muito do estádio de desenvolvimento da cultura.

    Na soja, o ataque em estádios iniciais causa a murcha e posteriormente morte da planta, levando a redução do estande, e em desenvolvimento mais avançado, deixa a planta vulnerável a chuvas, ventos ou implementos agrícolas, que podem levar ao tombamento.

    Em milho, cana-de-açúcar, trigo e arroz causa o dano conhecido como coração morto, onde ocorre o murchamento e seca das folhas, levando a morte da planta.

    O ataque da praga normalmente é percebido pelas falhas na lavoura.

    Controle

    Um fator abiótico que pode ser utilizado para o controle é a alta umidade no solo, que age negativamente em qualquer estágio de desenvolvimento da praga. Sistemas que preservam a umidade no solo, como o plantio direto, ajudam a reduzir a incidência dessa praga na lavoura. A utilização de irrigação, quando viável, também pode ser uma solução.

    O controle mais utilizado para combater a Elasmopalpus lignosellus é o químico, sendo o tratamento de sementes o mais empregado devido a sua praticidade, custo e eficiência. A aplicação de inseticidas utilizando jato dirigido para o colo da planta pode ser atribuída, desde que seja identificado o ataque da praga no início.

    Vários são os inimigos naturais da Elasmopalpus lignosellus, tais como: parasitoides, vírus e fungos, porém o impacto causado para o controle da praga é considerado baixo e poucas informações a respeito de controle biológico são encontradas.

    Cultivares resistentes podem ser utilizadas para o controle da Elasmopalpus lignosellus, sendo que em soja, a tecnologia Bt pode ser empregada junto com outras formas de manejo, visto que o controle da praga por essa cultivar é supressivo.

    Como já mencionado, a Elasmopalpus lignosellus é uma praga muito influenciada pelo clima, se favorecendo em anos com períodos de longas estiagens, então a não ocorrência em uma safra não anula a possibilidade de uma infestação na safra seguinte. Portanto, o seu monitoramento não deve ser negligenciado pelos produtores, evitando assim um ataque severo da praga nas lavouras.

    Elasmopalpus lignosellus para pesquisas? A Pragas.com tem!

    A Elasmopalpus lignosellus faz parte do portfólio de lepidópteros produzidos pela equipe da Pragas.com! Se você está desenvolvendo algum estudo/experimento que necessite da espécie, entre em contato conosco!

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    Este artigos teve como referências:

    https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11146/tde-22022013-164306/publico/Rizia_da_Silva_Andrade_versao_revisada.pdf

    https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/56174/1/doc-129.pdf

    http://panorama.cnpms.embrapa.br/insetos-praga/identificacao/pragas-de-superficie/lagarta-elasmo-elasmopalpus-lignosellus-zeller-1848-lepidoptera-pyralidae-1

    https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/991586/1/Comunicado303.pdf

    https://www.agro.bayer.com.br/alvos/lagarta-elasmo#tab-3

    https://www.embrapa.br/documents/1344498/2767891/manejo-de-elasmo-na-cultura-do-milho.pdf/9ca5be8d-688e-4520-9ec7-4fd385c51e3e

    https://core.ac.uk/download/pdf/15429326.pdf

    https://www.agrolink.com.br/noticias/umidade-favorece-surgimento-da-lagarta-elasmo-no-milho_59736.html

  • Pesquisador da Pragas.com está entre os 500 selecionados no Programa Jovens Líderes do Agro.

    Pesquisador da Pragas.com está entre os 500 selecionados no Programa Jovens Líderes do Agro.

    Foto: Victória Previatti

    O pesquisador Gabriel Nunes, da Pragas.com, é um dos 500 selecionados para a próxima etapa do programa Jovens Líderes do Agro, promovido pelo sistema CNA/Senar. Inicialmente, o programa teve mais de 3 mil inscritos, e agora se encaminha para a última etapa eliminatória da primeira fase.

    Nós, da Pragas.com estamos muito felizes e honrados por ter no nosso corpo técnico profissionais diferenciados e inovadores, com capacidade de liderar e se destacar no Agro Brasileiro. Apoiamos muito iniciativas como essas entre nossos colaboradores e queremos que confiram a entrevista que fizemos com o Gabriel a respeito do Programa Jovens Líderes do Agro, onde abordamos as expectativas e os próximos passos do programa. Confiram a entrevista:

    Pragas.com – Gabriel, conta  pra gente um pouco mais sobre o Programa Jovens Líderes do Agro.

    Gabriel – É um programa de mentoria voltado para jovens do agro, sendo muito importante para o setor, com o intuito de desenvolver lideranças. É muito concorrido e ao final da primeira fase serão selecionadas apenas 80 pessoas, das 500 que chegaram até aqui. A final, onde terá o Encontro Presencial Nacional, será em Brasília. As avaliações serão de dois tipos: individual e a do grupo. Terá uma premiação para o grupo que apresentar a iniciativa vencedora e também para três jovens reconhecidos como vencedores.

    Pragas.com – Qual a sensação de estar na última etapa eliminatória da primeira fase do programa?

    Gabriel – Ser um dos escolhidos entre os mais de 3 mil inscritos é muito gratificante. O programa é muito puxado e exige muitas horas de dedicação, então estar nessa etapa é uma enorme satisfação e me impulsiona a querer chegar cada vez mais longe e alcançar o objetivo final de ir para Brasília e conseguir conquistar o prêmio.

    Pragas.com – Qual a importância de um programa como esse para você?

    Gabriel – É um programa que ajuda a gente a desenvolver a nossa parte de liderança. O setor do agronegócio é o principal do país, e ter a oportunidade de ser desenvolvido e desenvolver liderança para ajudar a alavancar esse setor é muito gratificante e importante para mim.

    Sobre o projeto

    Responsável pelo Programa Jovens Líderes do Agro, o Sistema CNA/Senar apoia o desenvolvimento de novas lideranças para enfrentar desafios e inovar na agropecuária brasileira. O interesse do Sistema CNA/Senar é baseado em áreas em que acreditam ser de maior necessidade de novos líderes com novos propósitos, são elas: institucional; sindical; político-partidária; empresarial e educacional.

    O programa é dividido em duas fases, sendo a primeira totalmente de forma remota e a segunda fase sendo tanto presencial quanto remota.

    Clique aqui e saiba mais sobre o programa

     

  • Guia Rápido #4: Saiba mais sobre o Percevejo-Barriga-Verde: Dichelops spp.

    Guia Rápido #4: Saiba mais sobre o Percevejo-Barriga-Verde: Dichelops spp.

    Foto: José Madalóz
    
    

    Atualmente, há duas espécies de importância econômica que são conhecidos popularmente como este nome, sendo eles: Dichelops furcatusDichelops melacanthus (Hemiptera: Pentatomidae). Ambos possuem a face dorsal marrom e a face ventral verde, embora isso não seja regra pois nos meses mais frios do ano, a parte ventral passa a ter uma coloração marrom-acinzentada. Algumas características que os diferenciam são que o D. furcatus é ligeiramente maior (medindo cerca de 10 mm de comprimento) e possui os prolongamentos laterais no pronoto da mesma cor do dorso. Já o D. melacanthus é menor (cerca de 7 mm) e apresenta a extremidade dos espinhos mais escura do que o resto do dorso. O seu nome melacanthus vem desta característica, que significa “cantos escurecidos”.

    Foto: Lisonéia Fiorentini Smaniotto – Fonte: Embrapa
    A: Dichelops furcatus             B: Dichelops melacanthus

    Esses percevejos são fitófagos e se alimentam dos conteúdos celulares das plantas. Causam muitos prejuízos principalmente na cultura do milho, mas podem infestar também soja, sorgo, aveia, centeio, cevada, milheto, trigo, triticale.

    O período de ovo a adulto dura cerca de 27 dias. Os ovos possuem coloração verde-clara, ovoides, dispostos em grupos de tamanho variável que são formados por três ou mais fileiras, que conforme vão ficando mais próximos de eclodirem, vão escurecendo. A fase de ninfa tem cinco ínstares, sendo que a partir do 3º ínstar iniciam os danos mais representativos. As ninfas possuem coloração marrom-acinzentada na região dorsal e coloração verde no abdômen, podendo ser confundidas no campo com ninfas de Euschistus heros, mas se diferenciam pelas jugas bifurcadas e agudas e pela coloração do abdômen.

    Os percevejos são mais ativos pela manhã, no final da tarde ou durante a noite (horas mais amenas). Nas horas mais quentes, os adultos costumam se esconder na palhada ou em plantas daninhas hospedeiras.

    Ocorrência

    Em geral, Dichelops melacanthus é mais encontrado no Centro-Oeste, Sudeste e região Norte do Paraná, enquanto D. furcatus é mais encontrado no Sul do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    O primeiro registro da ocorrência de percevejo-barriga-verde atacando plântulas foi em 1993, em Rio Brilhante, Mato Grosso do Sul. No mesmo ano, nos meses de novembro e dezembro, observaram-se também ataques nas regiões de Campo Mourão (PR) e Cascavel (PR).

    Inicialmente, as duas espécies de percevejo eram mais frequentes na região Sul do Brasil, porém, tem se tornado cada vez mais frequente os problemas nas regiões que cultivam milho segunda safra, especialmente no Centro-Oeste.

    O sistema de plantio direto pode favorecer a presença dessas espécies, que sobrevivem em restos culturais. Também o sistema de cultivo sucessivo de soja/milho tem facilitado o desenvolvimento dessa praga, por isso é importante o monitoramento de Dichelops spp. na palhada, antes da semeadura do milho.

    Danos

    Em milho, as duas espécies causam danos grandes e irreversíveis. Os maiores danos têm sido verificados quando ocorrem alta incidência da praga simultaneamente a períodos de estiagem. Assim, os prejuízos causados pelos danos do percevejo-barriga-verde podem variar desde perdas médias de 30%, podendo chegar a 60% da produção de plantas sobreviventes, podendo inclusive não gerar espigas, até a morte de plantas e necessidade de replantio. Em algumas regiões, Dichelops spp. podem ser consideradas a principal praga.

    Quando a infestação ocorre nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas, os danos são maiores. Os danos causados pelo inseto não são visíveis logo no início da emergência do milho, mas sim a partir do décimo dia da emergência. Tomar medidas de controle após visualizar os danos em geral não ameniza o problema.

    O principal dano é o perfilhamento (cujo sintoma é conhecido como “enrosetamento”), que é causado pela alimentação tanto de adultos como de ninfas com a introdução de seus estiletes na base das plantas, através da bainha das folhas, atingindo as folhas internas, com extração da seiva e injeção de substâncias tóxicas. Outros danos em plântulas são o “encharutamento” (alteração fisiológica na planta, que dificulta o desenrolamento das folhas), murchamento das folhas centrais (sintoma conhecido por “coração morto”), lesões simétricas (furos) com bordas amareladas no limbo foliar, amarelecimento e necrose tecidual. Devido a isso, pode ocorrer morte das plântulas e redução do estande final (número de plantas por metro).

    As lesões causadas pelo Percevejo-Barriga-Verde apresentam um halo amarelo na circunferência dos furos, se diferenciando das lesões de Spodoptera e Diabrotica. Esse halo é devido a toxina injetada no momento da alimentação do percevejo.

    Segundo a Embrapa, o nível de dano para o controle do percevejo-barriga-verde no milho safrinha é inferior a 1 inseto para cada 5 plantas de milho na lavoura, nas fases iniciais de desenvolvimento da cultura. Alguns autores indicam que o nível de controle seja ainda mais baixo, de 0,58 percevejo por m2. Estima-se que o nível de dano econômico seja de 2 percevejos por m linear, devido a agressividade desta espécie.

    Estas espécies também costumam ocorrer em soja, mas sem causar danos expressivos devido à baixa densidade populacional (menos de 15% da população de percevejos) e por ocorrer mais no final do ciclo desta cultura. Porém, a população que se desenvolve na soja pode causar maiores problemas para a cultura seguinte, como o milho ou o sorgo.

    Controle

    Uma dificuldade para o controle do Percevejo-barriga-verde é a identificação do início da infestação. Para os produtores que pretendem cultivar milho na sucessão da soja, recomenda-se iniciar o controle da praga ainda na primeira cultura, antes da colheita, pois o dano maior no milho é provocado pela fase adulta do percevejo, que migra da cultura anterior ou de culturas adjacentes. O controle deve ser efetuado até V4.

    Para um bom manejo da praga e prevenção de danos no milho, a melhor estratégia é a realização do MIP (Manejo Integrado de Pragas). Podemos usar as seguintes estratégias: Ainda na cultura da soja, controlar a população do percevejo; eliminar plantas daninhas que possam servir de abrigo para os percevejos (principalmente trapoeraba, capim carrapicho, capim amargoso), durante todo o ciclo da cultura; se for detectada uma população alta de percevejos na palhada, antes da semeadura, pode ser necessário aplicar inseticida em dessecação; tratamento de sementes com misturas contendo neonicotinoides + carbamatos têm sido bastante utilizadas como ferramenta auxiliar e pode ser fundamental para o estabelecimento da cultura; controle biológico através de microhimenópteros do gênero Trissolcus;  pode ser necessária aplicação de inseticidas na parte aérea das plantas quando constatado 0,8 percevejo/m2.

    Quanto ao uso de inseticidas, aplicar na dessecação pode ser inócuo, devido ao efeito guarda-chuva. É mais efetivo aplicar após o plantio e antes da emergência. Evitar aplicações de inseticidas nas horas mais quentes do dia ou nos períodos em que a praga está abrigada, como à noite, em dias chuvosos ou logo após chuva, ou em dias com baixas temperaturas.

    Os focos de ocorrência podem ser detectados por meio de monitoramento, que é fundamental manter para definir o momento da aplicação na parte aérea do inseticida registrado.

    No caso de cultivos Bt, é importante lembrar que essa tecnologia não visa o controle do percevejo-barriga-verde, apenas de lagartas. Por isso, continua fundamental o monitoramento de Dichelops spp.

    Percevejo-barriga-verde para pesquisas? A Pragas.com tem!

    Os Percevejos-barriga-verde (Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus) fazem parte do portfólio de hemípteros produzidos pela equipe da Pragas.com! Se você está desenvolvendo algum estudo/experimento que necessite da espécie, entre em contato conosco!

    Temos fornecimento deste e outros insetos-pragas, em várias fases e com disponibilidade o ano todo. E claro, com a qualidade e excelência que são marcas registradas da Pragas.com!

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    Este artigo teve como referências:

    http://www.pioneersementes.com.br/blog/17/manejo-de-pragas-iniciais-no-milho-safrinha

    https://www.agro.bayer.com.br/alvos/percevejo-barriga-verde

    Prioridades MAPA: Dichelops melacanthus (percevejo-barriga-verde) em milho

    Prioridades MAPA: Dichelops melacanthus (percevejo-barriga-verde) em milho

    http://www.pioneersementes.com.br/blog/116/periodo-suscetivel-do-milho-ao-ataque-do-percevejo-barriga-verde-e-o-efeito-do-tratamento-de-sementes-industrial-para-controle

    http://www.roundupreadyplus.com.br/2018/wp-content/themes/rrplus/assets/boletins/artigo_08.pdf

    https://www.agrolink.com.br/problemas/percevejo-barriga-verde_512.html

    https://www.gea-esalq.com/informativo-gea-percevejo-bar-verde

    https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1019899/1/FL08528.pdf

  • Guia Rápido #3: Anticarsia gemmatalis – A desfolhadora mais comum na soja no Brasil.

    Guia Rápido #3: Anticarsia gemmatalis – A desfolhadora mais comum na soja no Brasil.

    Crédito: InsectImages.com

    Esta é uma espécie de ocorrência tropical e subtropical, que pode ser encontrada desde o sul dos Estados Unidos da América do Norte até a Argentina.  Na cultura da soja, na maioria das regiões brasileiras ela é considerada a principal praga e ocorre desde o período vegetativo até o final da floração. Devido a diferenças de temperatura e nutrição da praga, sua dinâmica populacional pode ser variável em diferentes regiões. Sua ocorrência costuma ser maior entre novembro e março, com pico populacional em janeiro nas áreas mais ao norte e em fevereiro em áreas mais ao sul. Além de soja, A. gemmatalis tem preferência por atacar outras leguminosas (como feijão, amendoim e ervilha), mas pode ser encontrada infestando também algodão, arroz, batata, brócolis, cana-de-açúcar, fumo, mandioca, maracujá, milho e seringueira.

    Os adultos desta espécie são mariposas que medem de 30 a 38 mm de envergadura. Apresentam coloração que varia entre cinza, marrom e bege, mas que tem como característica uma linha transversal escura que cruza ambas as asas diagonalmente.

    As fêmeas desta espécie costumam colocar os ovos de forma isolada na face inferior das folhas (por isso é mais fácil encontrar esta espécie em campo nestes locais), sendo que as posturas são maiores quando ocorre a diminuição da temperatura e aumento da umidade. Os ovos são esféricos, de aproximadamente 0,6 mm de diâmetro. Inicialmente apresentam a coloração verde-claros e com o passar do tempo tornam-se marrom avermelhado. Cerca de 3 a 5 dias depois ocorre a eclosão das lagartas.

    Quando pequenas (até 1 cm), as lagartas podem ter coloração verde ou preta, com 4 pares de pernas abdominais, duas delas vestigiais, e mais um par terminal. Com isso, se locomovem medindo palmos e podem ser confundidas com lagartas pequenas da falsa-medideira (Chrysodexis includens).  Quando maiores que 1,5 cm, a coloração também pode ser tanto verde quanto preta, com 3 linhas longitudinais brancas no dorso. Em condições de altas infestações ou escassez de alimento, as lagartas tornam-se escuras.

    Entram na fase de pupa no solo, numa profundidade de até 2 cm. A duração dessa fase varia conforme a temperatura, durando cerca de 9 a 11 dias.

    Um comportamento característico desta espécie é de, quando perturbada, se jogar no solo.

    Danos

    O principal dano da lagarta-da-soja é a desfolha das plantas. Nos primeiros ínstares (lagartas até 10 mm) o consumo foliar é muito pequeno e feito por meio de raspagem do parênquima foliar (causando pequenas manchas claras). A partir do terceiro ínstar elas conseguem perfurar as folhas, sendo que do quarto ao sexto ínstar as pragas consomem, aproximadamente, 95% do total de consumo foliar. Por isso é importante controlar essa praga quando as lagartas ainda estão pequenas. Em altas populações elas podem provocar desfolhas nas plantas de mais de 30% da área foliar, em geral no terço superior das plantas, causando grandes perdas na lavoura.

    Podem causar até 100% de desfolha se não controladas a tempo e se alimentar até mesmo de flores e vagens.

    Controle

    O monitoramento de lagartas de A. gemmatalis para avaliar a densidade populacional é fundamental para a proteção da lavoura e deve ser feito constantemente, por meio de amostragens. Esse procedimento auxilia o manejo integrado da praga, com técnicas de rotação de culturas, controle biológico ou controle químico.

    Para o controle químico, deve-se iniciar quando forem encontradas aproximadamente 40 lagartas grandes (com 1,5 cm ou mais) por pano-de-batida em duas fileiras de plantas, ou em menor número se a desfolha atingir 30%, antes da floração, e 15% tão logo apareçam as primeiras flores.

    O controle biológico com Baculovírus está sendo muito utilizado para o controle de A gemmatalis. No processo de infecção, após o Baculovírus ser ingerido pela lagarta-da-soja, a lagarta fica debilitada, perde a capacidade de alimentação e a mobilidade, vindo a morrer em torno do sétimo dia da aplicação do produto biológico e liberando mais vírus sobre as folhas, que servem de inóculo para contaminar novas lagartas.

    Para utilizar o controle biológico, deve-se considerar as seguintes condições:

    1- Período de estiagem ou plantas menores que 50 cm: Aplicação se encontradas no máximo 20 lagartas pequenas ou 15 lagartas pequenas e 5 grandes (maiores que 1 cm) por pano de batida em duas fileiras de plantas com 1 metro de comprimento

    2- Chuva normal ou plantas maiores que 50 cm: Aplicação quando forem encontradas, no máximo, 40 lagartas pequenas ou 30 lagartas pequenas e 10 grandes por pano de batida.

    Pesquisas com A. gemmatalis

    Na Pragas.Com buscamos viabilizar as pesquisas agrícolas com A. gemmatalis, para acelerar o desenvolvimento de tecnologias para o controle dessa praga. Para isso, mantemos criação desta espécie em laboratório para fornecimento para estudos com mais praticidade e baixo investimento, bem como demais insumos como bandejas, gaiolas e dieta artificial própria para esta espécie.

    https://www.agrolink.com.br/problemas/lagarta-da-soja_37.html

    https://www.koppert.com.br/desafios/lagartas/anticarsia-gemmatalis/

    https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/182406/1/2018BP02.pdf

    http://www.cotapel.com.br/noticia.php?not_id=2356

    http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/ABQIbvMGaRe80QG_2013-5-3-15-24-32.pdf

    https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11146/tde-20200111-123711/publico/MagriniElianaAparecida.pdf

  • Guia rápido #2: o que você precisa saber sobre o percevejo-marrom (Euschistus heros).

    Guia rápido #2: o que você precisa saber sobre o percevejo-marrom (Euschistus heros).

    O percevejo-marrom é um inseto sugador de hastes, plântulas, ramos e vagens, com incidência mais comum em culturas como a soja, algodão e milho. Ele apresenta, ao longo de seu desenvolvimento, cinco instares, até chegar em sua fase adulta.

    Sua incidência é maior em regiões quentes, ocorrendo do norte do Paraná ao Brasil central, mas tem sido visualizada sua aparição em regiões frias também. O inseto pode se esconder por até cinco meses sob os resíduos vegetais e plantas hospedeiras permanecendo em diapausa, a espera da nova safra para onde migrará.

    É a espécie de percevejo mais abundante e de maior dificuldade de controle nas lavouras de soja, principalmente devido aos altos níveis populacionais no campo, e por o adulto ter uma longevidade grande, de 80 a 116 dias.

    No caso da soja, cultura em que se faz a principal praga, os danos acabam reduzindo a produção, e ocasionando retenção foliar devido à injeção de toxinas, dificultando a colheita, e aumentando a umidade dos grãos colhidos. Contudo, o maior prejuízo ocorre quando são atacadas as vagens, ocasionando má formação e o sintoma de “grãos chochos”.

    A entrada dos insetos na lavoura se dá durante a floração (compreendida entre R1 e R2), e a incidência se torna crescente com a reprodução. Após esse período, o monitoramento deve ser constante, pois caso seja verificada populações elevadas, poderá ser necessária a tomada de decisão para o manejo, de modo a reduzir o nível populacional antes de entrar em R4 (fase final de desenvolvimento das vagens), momento com maior potencial de dano.

    Controle

    Atualmente para o controle, pode-se utilizar dos inseticidas registrados, contudo, tem sido a sobrevivência dos indivíduos após a aplicação que vem sendo estudada.

    Deste modo, deve ser adotada a rotação de diferentes táticas de controle, de modo a evitar a seleção de resistência dos percevejos-marrom.

    Dentre as opções de controle biológico, o uso das vespas Telenomus podisi e Trissolcus basalis tem se mostrado eficiente, com taxas de parasitismo de ovos correspondendo a 80% e 60%, respectivamente.

    Percevejo-marrom para pesquisas? A Pragas.com tem!

    Os percevejos-marrom (Euschistus heros) fazem parte do portfólio de hemípteros produzidos pela equipe da Pragas.com! Se você está desenvolvendo algum estudo/experimento que necessite da espécie, entre em contato conosco!

    Temos fornecimento deste e outros insetos-pragas, em várias fases e com disponibilidade o ano todo. E claro, com a qualidade e excelência que são marcas registradas da Pragas.com!

    Quer saber mais? Entre em contato com a gente e solicite um atendimento!

    Fontes:

    https://www.agro.bayer.com.br/alvos/percevejo-marrom

    https://www.irac-br.org/euschistus-heros

    https://blog.aegro.com.br/percevejo-marrom/

  • Guia Rápido #1: Anthonomus grandis (Bicudo-do-algodoeiro), novidade no portfólio da Pragas.com.

    Guia Rápido #1: Anthonomus grandis (Bicudo-do-algodoeiro), novidade no portfólio da Pragas.com.

    (Foto: USDA APHIS PPQ - Oxford, North Carolina)

    Hoje é dia de falarmos sobre o Anthonomus grandis, mais conhecido popularmente como o Bicudo-do-algodoeiro, considerado a principal praga da cultura, e que pode causar perda de até 70% na produção se não controlados da maneira correta.

    Lembrando que esta série especial de posts faz parte dos novos conteúdos produzidos pela equipe da Pragas.com, abordando espécies que fazem parte do nosso portfólio de organismos-alvo para pesquisas agrícolas. Se você quiser saber mais sobre nossos produtos, entre em contato com nossos especialistas!

     

    Anthonomus grandis – o que é?

    O bicudo-do-algodoeiro (nome popular ao qual é conhecido o Anthonomus grandis) é um inseto que apresenta quatro fases de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto. Esta espécie, durante o ciclo do algodão, pode produzir de três a sete gerações.

    Logo após a migração dos adultos para a cultura, no momento do florescimento, ocorre o ataque aos botões florais. A fêmea coloca um ovo por orifício, mas, em casos onde a taxa de infestação é maior que 50%, podem ocorrer até cinco orifícios de oviposição por botão floral.

    Depois de três a quatro dias, os ovos do Anthonomus grandis eclodem, dando origem as larvas que vão consumir e destruir internamente as fibras e sementes, impedindo sua abertura normal e deixando as fibras do algodão em um tom mais escuro.

    Após isso, parte da população se desloca para os restos culturais, entram em diapausa ou hibernação, até que se inicie um novo ciclo da cultura.  As condições favoráveis para o desenvolvimento do inseto são umidades relativas entre 60% e 98%, e temperatura média de 25ºC.

    Os danos provocados pelo bicudo do algodoeiro podem variar de acordo com a região, causando perdas de até 70% se não controlados, já que devido ao seu ataque, a lavoura apresenta grande estágio vegetativo e abscisão dos frutos, reduzindo muito a sua produtividade.

    É muito importante fazer o plantio em épocas recomendadas de acordo com a região, para que todos os agricultores plantem na mesma época, evitando que haja abrigo durante a entre safra.

    Não é exagero quando consideramos, como dissemos acima, que o bicudo-do-algodoeiro é capaz de causar perdas de 70% na produção, e isso se deve por sua alta capacidade de reprodução na lavoura, e seu instinto (e poder) destrutivo.

    Como citado anteriormente, inicialmente os botões florais são atacados por adultos que migram para cultura no momento florescimento – depois do ataque, as brácteas ficam abertas e, logo na sequência, caem.

    Este ataque faz com que a aparência das flores se pareça com a de um balão, e isso ocorre por conta da abertura anormal das pétalas. Já, quando o dano ocorre nas maçãs do algodoeiro, o que observamos são perfurações externas, resultado dos hábitos de alimentação e oviposição da espécie.

    O período de favorecimento da praga são épocas chuvosas, já que a umidade conserva os botões atacador por um período maior. Além disso, é orientado fazer o plantio em épocas recomendadas de acordo com a região, para que todos os agricultores plantem na mesma época, evitando que haja abrigo durante a entre safra.

     

    Controle

    Dado que o nível de controle se baseia na porcentagem de estruturas reprodutivas atacadas, é muito importante se atentar ao monitoramento, para uma tomada de decisão efetiva. Armadilhas contendo feromônio podem ser utilizadas para coleta de adultos.

    Devido a sucessão de cultivos, o desenvolvimento da praga é favorecido. Além disso, a fisiologia do algodão dificulta o manejo da praga por apresentar crescimento indeterminado, ou seja, em uma mesma planta encontra-se botões florais, flores, maçãs e capulhos abertos; em ambos os casos, há contribuição para a oferta de alimento contínua. Medidas como a adoção do vazio sanitário ajudam no controle dessa praga em especifico.

     

    Referências para este artigo

    https://www.grupocultivar.com.br/artigos/manejo-efetivo-do-bicudo-do-algodoeiro

    https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/189564/1/doc216.pdf

    https://www.agrolink.com.br/problemas/bicudo_29.html

  • Somos Destaque no Site da ESALQtec.

    Somos Destaque no Site da ESALQtec.

    O site da Esalqtec fez uma matéria com as empresas de maior destaque no chamado “Vale do Piracicaba”, inspirado no Vale do Silício, situado na Califórnia, onde estão as maiores empresas de tecnologia do mundo.
    A matéria completa está disponível no link: https://www.esalqtec.com.br/site/no-vale-o-inicio-do-sucesso/

    “O mundo de startups possui diversos casos de empresas que iniciaram os trabalhos do zero, ou seja, de uma simples “garagem”, não possuíam nem um escritório formal. O “Silicon Valley” por exemplo, situado na Califórnia, é um caso clássico de ecossistema tecnológico que inspirou empresas deste tipo, como, Facebook, Google, Microsoft e a HP, iniciada em 1938 no número 367 da Addison Avenue, em Palo Alto, por William Hewlett e David Packard. Uma placa Fixada tem as seguintes palavras: “Local de nascimento do Vale do Silício”. A HP abrigou dois jovens funcionários iniciando a carreira: Steve Jobs, que tempos depois disse que ali foi a base do que seria a Apple, e seu futuro sócio, Steve Wozniak. Podemos relacionar a história e a mentalidade destas empresas com diversas Startups que também começaram dentro de uma “garagem”, através de uma ideia surgida em tempos de universidade ou a convivência junto a outros empreendedores visionários da tecnologia.

    O Vale do Silício é uma das maiores aglomerações de empresas com domínio de tecnologia de ponta do mundo. Piracicaba, no interior do estado de São Paulo, busca seguir a mesma base, porém com o foco em outro ramo, o agronegócio, o chamado “Negócio do Brasil”. A história da cidade com o agro surgiu através da cana de açúcar e da visão de empreendedores como Luiz de Queiroz e de Mario Dedini. Atualmente, com o apoio de ambientes de geração de conhecimento, como universidades (Ex: ESALQ e CENA, da USP), centros de Pesquisa e ambientes de Inovação como a ESALQTec Incubadora Tecnológica. Consolidou-se o “Agtech Valley”, ou seja, o Vale do Piracicaba, um movimento gerado com o objetivo de fortalecer a identificação da sociedade local com o ecossistema tecnológico, estimulando o desenvolvimento de pesquisas e inovações para a agricultura na região.

    O Vale do Piracicaba / Agtech Valley possui diversas Agtechs (Startups do Agro) de diferentes áreas, tendo a ESALQ/USP como centro de gravidade, de onde surge os chamados “spin offs” acadêmicos, alunos da graduação e pós graduação com disposição de empreender e transformar a pesquisa em produtos e serviços inovadores. Vários casos de empresas residentes e associadas da ESALQTec surgiram desta maneira, iniciando do zero.

    Pragas.com:
    Para transformar um projeto da universidade em uma startup reconhecida no país requer muito estudo e preparação, foi assim que iniciou a trilha da Pragas.com de Cristiane Tibola, formada em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Pelotas – UFPEL. Em fase final de seu estágio na Embrapa do RS, em 2009, Tibola trabalhava com criações de insetos-praga, tendo em vista que algumas empresas dos EUA vendiam insetos (destacado em uma reportagem), a produtora pensou em transformar seu projeto científico em negócio.

    Felizmente, Tibola obteve a resposta no dia seguinte: “quando conheci meu sócio, ele precisava de insetos para suas pesquisas, porém não estava encontrando áreas com infestação natural para implantar seus experimentos. Foi quando tivemos a ideia de produzir os insetos na Universidade e através de um projeto fornecer para que ele fizesse seus trabalhos. O resultado foi um sucesso e partir daí começamos a planejar a Pragas.com”.

    O caminho não é fácil, foi necessária uma análise do mercado e perspectivas do setor, em 2014 se iniciou o projeto Pragas.com na ESALQTec, já no ano seguinte a startup realizava a produção dos organismos-alvo em laboratório, com foco em atender o mercado de pesquisa agrícola no Brasil. Em 2018 a empresa mudou para sua biofábrica implantada em Piracicaba, podendo ampliar suas atividades com fornecimento de serviços e de insumos biológicos para empresas de controle biológico, um trabalho pioneiro no Brasil.

    Tibola afirma que as principais dificuldades foram: “a montanha russa de emoções que um empreendedor vive diariamente, as incertezas se teríamos sucesso ou não, se as escolhas foram as mais adequadas e a responsabilidade de estar à frente de uma empresa gerindo pessoas, processos e produtos, além obviamente de toda a responsabilidade de atender e entregar os melhores produtos e serviços aos nossos clientes”. O diferencial da empresa foi o planejamento produzido e a gestão do negócio.

    A empreendedora também destaca sua passagem pela ESALQTec e a importância do Vale do Piracicaba: “O suporte oferecido pela incubadora ESALQTec foi determinante para o sucesso da Pragas.com. Estamos inseridos em um ambiente que promove o empreendedorismo e a inovação no Agro, além de fazer parte do Vale do Piracicaba, um ecossistema de empresas de base tecnológica responsáveis por soluções para diversos segmentos do agronegócio. Ganhamos visibilidade e notoriedade estando na ESALQTec, além do “carimbo” ESALQ que vem junto a incubadora. Graças a este período, tivemos diversas oportunidades de aporte financeiro (FAPESP, FINEP, Investidores anjos, Venture capital, etc) e de divulgação do nosso projeto, engrandecendo e consolidando a Pragas.com”.

    Atualmente, a associada possui 25 colaboradores e busca finalizar a segunda unidade da empresa, também em Piracicaba que contará com ampliação da biofábrica e casas de vegetação visando atender cada vez melhor os clientes. Alinhada as exigências do mercado a Pragas.com® se mantem firme na sua missão de ajudar o Brasil a alimentar o mundo, através de soluções inovadoras para viabilizar pesquisas agrícolas e o controle biológico de pragas.”

  • Vírus do bem? Sim, eles existem!

    Vírus do bem? Sim, eles existem!

    Diante do caos que estamos vivendo pela pandemia causada pelo corona vírus, o olhar sobre os vírus de forma geral tem sido bastante crítico, e não é para menos, haja visto o poder de destruição que eles podem causar. Na agricultura, por exemplo, temos vários vírus que causam doenças para as plantas e consequentemente comprometem a produtividade das culturas. Porém, existem alguns vírus que ajudam a agricultura ser mais sustentável e rentável, do ponto de vista de fornecer à mesa do consumidor produtos mais saudáveis e com menos aplicação de produtos químicos.

    Existem muitos vírus benéficos, que ajudam o homem.
    Foto: Lagarta do cartucho do milho, Spodoptera frugiperda morta pela ação Baculovírus Spodoptera.

    Esse é o caso do Baculovírus Spodoptera, um vírus que ajuda os agricultores no controle da lagarta do cartucho do milho, Spodoptera frugiperda. É o que podemos chamar de um vírus do bem, que faz o controle biológico das lagartas no campo.

    O Baculovírus Spodoptera é um bioinseticida seletivo aos inimigos naturais e é formulado a partir do baculovirus Spodoptera frugiperda. Esse bioinseticida vem se mostrando uma excelente ferramenta para uso no controle da lagarta do cartucho do milho, tanto pela sua eficácia quanto pelo residual.

    O controle das lagartas ocorre após a ingestão do bioinseticida contendo o baculovírus, onde os poliedros virais estão inseridos, agindo diretamente nas células do intestino que por possuir pH alcalino, solubiliza os cristais de poliedros virais, provocando a infecção. Posteriormente, há redução do consumo do inseto e de sua locomoção, levando o mesmo a morte alguns dias após a ingestão.

    O uso do baculovírus como agente biológico no controle de lepidópteros-praga tem sido bastante difundido, devido a sua especificidade e seletividade, alta eficiência de mortalidade de insetos-praga, facilidade de manipulação e possibilidade de produção em larga escala, tornando-o seguro e ambientalmente correto. Eles são capazes de infectar, especificamente, espécies de insetos-praga importantes para a agricultura e não faz mal à saúde de seres humanos ou a de qualquer outro animal.

    Foto: Bioinseticida a base do Baculovírus Spodoptera.

    As perspectivas para o controle biológico são imensas, ilimitadas no Brasil e no mundo. O mercado o uso de biodefensivos, ou seja, produtos à base de fungos, bactérias e vírus que controlam doenças e pragas, assim como de insetos predadores e parasitoides, que combatem pragas, tem crescido à índices expressivos nos últimos anos.

    A crescente demanda por produtos biológicos acompanha a maior preocupação dos consumidores em terem um alimento com menores teores de produtos químicos. Isso porque, apesar do controle biológico não excluir o uso de alternativas químicas no manejo das culturas, ele se dá pela regulação de pragas e doenças por meio de seus inimigos naturais – agentes da natureza, de verdade, contribuindo para que o agricultor gere alimentos ainda mais acessíveis de forma segura e sustentável.

    Autora: Cristiane Maria Tibola
    CEO da Pragas.com

  • Como são descobertos os inimigos naturais para Controle Biológico?

    Como são descobertos os inimigos naturais para Controle Biológico?

    O controle biológico pode ser visto de três formas diferentes: como um campo de estudo para diferentes áreas, como um fenômeno natural – pois quase todas as espécies possuem inimigos naturais que atuam no controle da população -, ou como uma estratégia sustentável de controle de pragas e doenças da agricultura por meio de parasitoides, predadores e patógenos.

    Podemos classificar o controle biológico em 3 tipos:

    • Natural: feito pelos inimigos naturais já existentes no ecossistema, o que acarreta no equilíbrio da natureza.
    • Clássico: controle a longo prazo. É realizado pela introdução de poucos indivíduos para controle de pragas exóticas. As liberações são realizadas por uma ou mais vezes no mesmo local. É aplicado em culturas semiperenes e perenes.
    • Aplicado: ocorre a partir da liberação de populações de insetos criados em laboratório. Tem ação rápida, controlando a praga de forma semelhante aos produtos químicos.

    Os parasitoides, predadores e patógenos podem ser insetos, ácaros, fungos, bactérias vírus, ou nematoides. Todos esses organismos podem ser chamados de agentes biológicos ou, inimigos naturais.

    Controle biológico: uso de organismos vivos para o controle de determinada praga, diminuindo sua população e deixando-a menos danosa.

    Praga: qualquer espécie, linhagem ou biótipo de uma planta, animal ou agente patogênico, daninho ou potencialmente daninho para os vegetais ou animais (EMBRAPA).

    Agentes biológicos são organismos benéficos capazes de diminuir a população de uma praga ou doença, para que não haja danos econômicos na lavoura.

    Esses agentes fazem parte do controle biológico de pragas e doenças e são peças fundamentais no Manejo Integrado de Pragas, o MIP. Identificar, estudar suas características e o potencial de controle de cada agente biológico requer dedicação e muito tempo dos pesquisadores que trabalham nessa área.

    Inimigos naturais: produtos para controle biológico

    A primeira etapa no processo de desenvolvimento de produtos para o controle biológico é o levantamento e coleta de inimigos naturais na natureza. As pesquisas começam pela reprodução do ambiente natural e avaliação das relações que ocorrem entre os organismos vivos na natureza.

    A partir do monitoramento, os insetos ou o resultado da atuação dos microrganismos nas pragas alvo são coletados e levados para os laboratórios das empresas de controle biológico, institutos de pesquisa ou universidades.

    Nos laboratórios são desenvolvidos os processos de isolamento, identificação, caracterização e avaliação da eficiência dos organismos como agentes de controle biológico. Essa etapa da pesquisa pode durar um longo período, passando por anos de estudos.

    Quando os pesquisadores conseguem as respostas e os resultados dos testes realizados, é iniciada a etapa do desenvolvimento de produtos à base dos agentes de controle biológico. Nessa fase, os produtos são levados à campo para testes de eficiência e segurança. Os testes a campo precisam ser realizados por mais de uma safra, para que os resultados sejam confiáveis.

    Depois de alguns anos, desde o monitoramento dos agentes biológicos, até o final dos testes de campo, os produtos precisam ser registrados e avaliados peço Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),  e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A avaliação do produto por esses três órgãos governamentais os classifica quanto ao impacto que podem causar ao meio ambiente e quanto as recomendações de uso mais seguras.

    Produtos de controle biológico à base de fungos

    Os fungos são um grupo especial de microrganismos para o controle biológico. Essa diferenciação ocorre porque os fungos têm a forma de controle ativa, ou seja, não precisam ser ingeridos para que possam controlar os insetos.

    Os fungos foram os primeiros patógenos utilizados para o controle de insetos. Mais de 700 espécies de fungos de aproximadamente 90 gêneros, são responsáveis pelo controle de insetos em todo o mundo.

    Um dos fungos mais utilizados no controle biológico é o da espécie Metarhizium anisopliae. Esse fungo foi isolado de um coleóptero que causava danos em cereais em 1879. O Anisoplia austriaca, foi descrito por Sorokin anos mais tarde, em 1883.

    No Brasil o M. anisopliae é utilizado desde 1965 para o controle da cigarrinha da cana. O fungo também tem efeito de controle em outros insetos, como a broca da cana, percevejo da soja, broca do café, entre outros.

    Os produtos à base de M. anisopliae são formulados a partir dos conídios do fungo. Para o desenvolvimento dos produtos, são necessárias pesquisas sobre a viabilidade e virulência do microrganismo. A viabilidade dos conídios precisa ser maior que 85%, em sua germinação.

    Conídios: são os esporos assexuados dos fungos. É o modo mais comum da reprodução assexuada dos fungos.

    Outras pesquisas sobre armazenamento, temperatura ideal de armazenagem, embalagens e os tipos de formulação também são realizadas. Para os produtos à base de fungos, as formulações podem ser:

    • Pó e Pó molhável.
    • Granulados.
    • Óleo emulsionável.
    • Pasta.
    • Encapsulados.
    • Iscas.

    Outras espécies de fungos importantes no controle biológico, são: Beauveria bassiana; Verticillium lecanii; Neozygites floridana; Neozygites aphidis; Nomuraea rileyi; Hirsutella thompsonii; Colletotrichum gloeosporioides; Fusarium spp.; Aschersonia aleyrodis.

    Produtos de controle biológico à base de bactérias

    As bactérias têm sido amplamente estudadas para uso no controle biológico. Esse grande interesse surgiu por conta da possibilidade de fabricação desses microrganismos por meio do processo de fermentação. Além disso, as bactérias representam o maior grupo de entomopatógenos, com um grande número de produtos formulados sendo comercializados em todo o mundo.

    As bactérias entomopatogênicas podem ser esporulantes ou não-esporulantes, anaeróbias obrigatórias ou facultativas e sua infecção ocorre por via oral. As bactérias que possuem esporos, possuem cristal proteico, composto por proteínas tóxicas, que exercem efeito sobre os insetos-praga.

    Organismos anaeróbios: são organismos que não necessitam de oxigênio para seu crescimento e desenvolvimento.

    Bacillus thuringiensis (Bt)

    O Bacillus é o principal grupo de bactérias, e é responsável pelo maior número de produtos biológicos comerciais. Assim como para os produtos à base de fungos, as pesquisas iniciais precisam ser realizadas com foco em: estabilidade, armazenagem, temperatura, formulação, entre outras.

    O Bacillus thuringiensis (Bt) é a espécie mais conhecida e utilizada como bactéria de controle biológico. Atualmente existem 25 produtos comerciais registrados que usam o Bt como princípio ativo, em diferentes formulações: pó molhável; suspensão concentrada; concentrado emulsionável; granulado dispersível, e outras.

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    Produtos de controle biológico à base de vírus

    Os vírus patogênicos a insetos estão se tornando um importante nicho de produtos de controle biológico. Dentro deste complexo grupo de vírus entomopatogênicos, grande parte das pesquisas e do desenvolvimento de produtos é focado nos chamados baculovírus.

    Os baculovírus são um grupo de vírus patogênicos a artrópodes, pertencentes à família Baculoviridae, que atacam principalmente insetos das ordens Lepidoptera, Diptera e Hymenoptera.

    Os primeiros registros destes vírus foram descobertos em manuscritos chineses por volta do ano 1500, e relatam a influência deles em lagartas doentes do bicho da seda (Bombix mori).  O avanço de pesquisas acerca do uso da natureza viral da doença no manejo de pragas só se iniciou em 1947. Nos últimos 70 anos, já foram isoladas mais de 400 espécies de vírus com potencial para uso no controle de pragas.

    Sucesso do vírus no Brasil

    Um grande exemplo de sucesso de uso de vírus para controle biológico no Brasil, é o vírus Anticarsia gemmatalis MNPV como forma de controle da lagarta da soja. Mais de 2 milhões de hectares foram tratados por baculovírus no país.

    Os produtos à base de baculovírus são seguros, específicos para determinada espécie de praga e de fácil formulação e aplicação. Segundo dados fornecidos pelo AGROFIT, o Brasil possui pelo menos 17 produtos comerciais à base de baculovírus registrados atualmente. Com isso, novos produtos estão ganhando espaço no mercado, ajudando a promover uma agricultura mais sustentável.

    Insetos como produtos para controle biológico

    O princípio básico do controle biológico à partir de insetos como inimigo natural é simples: inseto se alimentando de inseto. Esses inimigos naturais podem ser predadores ou parasitoides, e são chamados de entomófagos.

    De maneira geral, os entomófagos precisam ter as seguintes características:

    • adaptabilidade às mudanças das condições físicas do ambiente.
    • especificidade ao hospedeiro/presa.
    • alta capacidade de crescimento populacional com relação a seu hospedeiro/presa.
    • alta capacidade de busca do hospedeiro/presa.
    • sincronização sazonal com o hospedeiro/presa.
    • sobrevivência nos períodos de ausência do hospedeiro/presa.
    • mostrar densidade recíproca (mudança populacional).

    Os insetos são multiplicados e criados em laboratórios específicos e após, são vendidos em unidades

    Utilizando insetos como inimigos naturais nas lavouras

    Os insetos de controle biológico são soltos nas lavouras de forma estratégica e programada. Essa estratégia é elaborada junto com o técnico da empresa de criação dos insetos, e considera a densidade populacional do inseto-praga para a regulação e controle dos insetos.

    Um produto muito utilizado hoje no Brasil é a vespa Trichogramma galloi, que tem muita eficiência no controle da broca da cana-de-açúcar. A vespa ataca os ovos da mariposa da broca, inoculando seus próprios ovos dentro dos ovos da praga alvo – que também chamamos de hospedeiro -, impedindo que a lagarta, que ainda está em formação, ecloda e se alimente das plantas.

    Mesmo sendo à base de insetos, esse tipo de produto biológico precisa passar por toda a pesquisa e processo de registro e validação, como qualquer um dos outros produtos. Atualmente existem seis produtos registrados para controle biológico que contam com a vespa T. galloi como ingrediente ativo.

    Insumos biológicos: peças importantes para pesquisas sobre controle biológico

    A Pragas.com é uma empresa de soluções inovadoras que acredita no potencial das descobertas que vem acontecendo no país em torno do controle biológico. Para dar suporte a toda uma cadeia em larga expansão, hoje a empresa fornece insumos biológicos para facilitar a padronização dos processos de desenvolvimento de produtos biológicos, tornando essa atividade cada vez mais rentável e sustentável.

    Para conhecer toda linha de insumos biológicos da Pragas.com, acesse nosso portfólio:
    https://pragas.com.vc/produtos/insumos-biologicos

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