Blog

  • Pesquisador da Pragas.com está entre os 500 selecionados no Programa Jovens Líderes do Agro.

    Pesquisador da Pragas.com está entre os 500 selecionados no Programa Jovens Líderes do Agro.

    Foto: Victória Previatti

    O pesquisador Gabriel Nunes, da Pragas.com, é um dos 500 selecionados para a próxima etapa do programa Jovens Líderes do Agro, promovido pelo sistema CNA/Senar. Inicialmente, o programa teve mais de 3 mil inscritos, e agora se encaminha para a última etapa eliminatória da primeira fase.

    Nós, da Pragas.com estamos muito felizes e honrados por ter no nosso corpo técnico profissionais diferenciados e inovadores, com capacidade de liderar e se destacar no Agro Brasileiro. Apoiamos muito iniciativas como essas entre nossos colaboradores e queremos que confiram a entrevista que fizemos com o Gabriel a respeito do Programa Jovens Líderes do Agro, onde abordamos as expectativas e os próximos passos do programa. Confiram a entrevista:

    Pragas.com – Gabriel, conta  pra gente um pouco mais sobre o Programa Jovens Líderes do Agro.

    Gabriel – É um programa de mentoria voltado para jovens do agro, sendo muito importante para o setor, com o intuito de desenvolver lideranças. É muito concorrido e ao final da primeira fase serão selecionadas apenas 80 pessoas, das 500 que chegaram até aqui. A final, onde terá o Encontro Presencial Nacional, será em Brasília. As avaliações serão de dois tipos: individual e a do grupo. Terá uma premiação para o grupo que apresentar a iniciativa vencedora e também para três jovens reconhecidos como vencedores.

    Pragas.com – Qual a sensação de estar na última etapa eliminatória da primeira fase do programa?

    Gabriel – Ser um dos escolhidos entre os mais de 3 mil inscritos é muito gratificante. O programa é muito puxado e exige muitas horas de dedicação, então estar nessa etapa é uma enorme satisfação e me impulsiona a querer chegar cada vez mais longe e alcançar o objetivo final de ir para Brasília e conseguir conquistar o prêmio.

    Pragas.com – Qual a importância de um programa como esse para você?

    Gabriel – É um programa que ajuda a gente a desenvolver a nossa parte de liderança. O setor do agronegócio é o principal do país, e ter a oportunidade de ser desenvolvido e desenvolver liderança para ajudar a alavancar esse setor é muito gratificante e importante para mim.

    Sobre o projeto

    Responsável pelo Programa Jovens Líderes do Agro, o Sistema CNA/Senar apoia o desenvolvimento de novas lideranças para enfrentar desafios e inovar na agropecuária brasileira. O interesse do Sistema CNA/Senar é baseado em áreas em que acreditam ser de maior necessidade de novos líderes com novos propósitos, são elas: institucional; sindical; político-partidária; empresarial e educacional.

    O programa é dividido em duas fases, sendo a primeira totalmente de forma remota e a segunda fase sendo tanto presencial quanto remota.

    Clique aqui e saiba mais sobre o programa

     

  • Guia Rápido #4: Saiba mais sobre o Percevejo-Barriga-Verde: Dichelops spp.

    Guia Rápido #4: Saiba mais sobre o Percevejo-Barriga-Verde: Dichelops spp.

    Foto: José Madalóz
    
    

    Atualmente, há duas espécies de importância econômica que são conhecidos popularmente como este nome, sendo eles: Dichelops furcatusDichelops melacanthus (Hemiptera: Pentatomidae). Ambos possuem a face dorsal marrom e a face ventral verde, embora isso não seja regra pois nos meses mais frios do ano, a parte ventral passa a ter uma coloração marrom-acinzentada. Algumas características que os diferenciam são que o D. furcatus é ligeiramente maior (medindo cerca de 10 mm de comprimento) e possui os prolongamentos laterais no pronoto da mesma cor do dorso. Já o D. melacanthus é menor (cerca de 7 mm) e apresenta a extremidade dos espinhos mais escura do que o resto do dorso. O seu nome melacanthus vem desta característica, que significa “cantos escurecidos”.

    Foto: Lisonéia Fiorentini Smaniotto – Fonte: Embrapa
    A: Dichelops furcatus             B: Dichelops melacanthus

    Esses percevejos são fitófagos e se alimentam dos conteúdos celulares das plantas. Causam muitos prejuízos principalmente na cultura do milho, mas podem infestar também soja, sorgo, aveia, centeio, cevada, milheto, trigo, triticale.

    O período de ovo a adulto dura cerca de 27 dias. Os ovos possuem coloração verde-clara, ovoides, dispostos em grupos de tamanho variável que são formados por três ou mais fileiras, que conforme vão ficando mais próximos de eclodirem, vão escurecendo. A fase de ninfa tem cinco ínstares, sendo que a partir do 3º ínstar iniciam os danos mais representativos. As ninfas possuem coloração marrom-acinzentada na região dorsal e coloração verde no abdômen, podendo ser confundidas no campo com ninfas de Euschistus heros, mas se diferenciam pelas jugas bifurcadas e agudas e pela coloração do abdômen.

    Os percevejos são mais ativos pela manhã, no final da tarde ou durante a noite (horas mais amenas). Nas horas mais quentes, os adultos costumam se esconder na palhada ou em plantas daninhas hospedeiras.

    Ocorrência

    Em geral, Dichelops melacanthus é mais encontrado no Centro-Oeste, Sudeste e região Norte do Paraná, enquanto D. furcatus é mais encontrado no Sul do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    O primeiro registro da ocorrência de percevejo-barriga-verde atacando plântulas foi em 1993, em Rio Brilhante, Mato Grosso do Sul. No mesmo ano, nos meses de novembro e dezembro, observaram-se também ataques nas regiões de Campo Mourão (PR) e Cascavel (PR).

    Inicialmente, as duas espécies de percevejo eram mais frequentes na região Sul do Brasil, porém, tem se tornado cada vez mais frequente os problemas nas regiões que cultivam milho segunda safra, especialmente no Centro-Oeste.

    O sistema de plantio direto pode favorecer a presença dessas espécies, que sobrevivem em restos culturais. Também o sistema de cultivo sucessivo de soja/milho tem facilitado o desenvolvimento dessa praga, por isso é importante o monitoramento de Dichelops spp. na palhada, antes da semeadura do milho.

    Danos

    Em milho, as duas espécies causam danos grandes e irreversíveis. Os maiores danos têm sido verificados quando ocorrem alta incidência da praga simultaneamente a períodos de estiagem. Assim, os prejuízos causados pelos danos do percevejo-barriga-verde podem variar desde perdas médias de 30%, podendo chegar a 60% da produção de plantas sobreviventes, podendo inclusive não gerar espigas, até a morte de plantas e necessidade de replantio. Em algumas regiões, Dichelops spp. podem ser consideradas a principal praga.

    Quando a infestação ocorre nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas, os danos são maiores. Os danos causados pelo inseto não são visíveis logo no início da emergência do milho, mas sim a partir do décimo dia da emergência. Tomar medidas de controle após visualizar os danos em geral não ameniza o problema.

    O principal dano é o perfilhamento (cujo sintoma é conhecido como “enrosetamento”), que é causado pela alimentação tanto de adultos como de ninfas com a introdução de seus estiletes na base das plantas, através da bainha das folhas, atingindo as folhas internas, com extração da seiva e injeção de substâncias tóxicas. Outros danos em plântulas são o “encharutamento” (alteração fisiológica na planta, que dificulta o desenrolamento das folhas), murchamento das folhas centrais (sintoma conhecido por “coração morto”), lesões simétricas (furos) com bordas amareladas no limbo foliar, amarelecimento e necrose tecidual. Devido a isso, pode ocorrer morte das plântulas e redução do estande final (número de plantas por metro).

    As lesões causadas pelo Percevejo-Barriga-Verde apresentam um halo amarelo na circunferência dos furos, se diferenciando das lesões de Spodoptera e Diabrotica. Esse halo é devido a toxina injetada no momento da alimentação do percevejo.

    Segundo a Embrapa, o nível de dano para o controle do percevejo-barriga-verde no milho safrinha é inferior a 1 inseto para cada 5 plantas de milho na lavoura, nas fases iniciais de desenvolvimento da cultura. Alguns autores indicam que o nível de controle seja ainda mais baixo, de 0,58 percevejo por m2. Estima-se que o nível de dano econômico seja de 2 percevejos por m linear, devido a agressividade desta espécie.

    Estas espécies também costumam ocorrer em soja, mas sem causar danos expressivos devido à baixa densidade populacional (menos de 15% da população de percevejos) e por ocorrer mais no final do ciclo desta cultura. Porém, a população que se desenvolve na soja pode causar maiores problemas para a cultura seguinte, como o milho ou o sorgo.

    Controle

    Uma dificuldade para o controle do Percevejo-barriga-verde é a identificação do início da infestação. Para os produtores que pretendem cultivar milho na sucessão da soja, recomenda-se iniciar o controle da praga ainda na primeira cultura, antes da colheita, pois o dano maior no milho é provocado pela fase adulta do percevejo, que migra da cultura anterior ou de culturas adjacentes. O controle deve ser efetuado até V4.

    Para um bom manejo da praga e prevenção de danos no milho, a melhor estratégia é a realização do MIP (Manejo Integrado de Pragas). Podemos usar as seguintes estratégias: Ainda na cultura da soja, controlar a população do percevejo; eliminar plantas daninhas que possam servir de abrigo para os percevejos (principalmente trapoeraba, capim carrapicho, capim amargoso), durante todo o ciclo da cultura; se for detectada uma população alta de percevejos na palhada, antes da semeadura, pode ser necessário aplicar inseticida em dessecação; tratamento de sementes com misturas contendo neonicotinoides + carbamatos têm sido bastante utilizadas como ferramenta auxiliar e pode ser fundamental para o estabelecimento da cultura; controle biológico através de microhimenópteros do gênero Trissolcus;  pode ser necessária aplicação de inseticidas na parte aérea das plantas quando constatado 0,8 percevejo/m2.

    Quanto ao uso de inseticidas, aplicar na dessecação pode ser inócuo, devido ao efeito guarda-chuva. É mais efetivo aplicar após o plantio e antes da emergência. Evitar aplicações de inseticidas nas horas mais quentes do dia ou nos períodos em que a praga está abrigada, como à noite, em dias chuvosos ou logo após chuva, ou em dias com baixas temperaturas.

    Os focos de ocorrência podem ser detectados por meio de monitoramento, que é fundamental manter para definir o momento da aplicação na parte aérea do inseticida registrado.

    No caso de cultivos Bt, é importante lembrar que essa tecnologia não visa o controle do percevejo-barriga-verde, apenas de lagartas. Por isso, continua fundamental o monitoramento de Dichelops spp.

    Percevejo-barriga-verde para pesquisas? A Pragas.com tem!

    Os Percevejos-barriga-verde (Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus) fazem parte do portfólio de hemípteros produzidos pela equipe da Pragas.com! Se você está desenvolvendo algum estudo/experimento que necessite da espécie, entre em contato conosco!

    Temos fornecimento deste e outros insetos-pragas, em várias fases e com disponibilidade o ano todo. E claro, com a qualidade e excelência que são marcas registradas da Pragas.com!

    Quer saber mais? Entre em contato com a gente e solicite um atendimento!

    Este artigo teve como referências:

    http://www.pioneersementes.com.br/blog/17/manejo-de-pragas-iniciais-no-milho-safrinha

    https://www.agro.bayer.com.br/alvos/percevejo-barriga-verde

    Prioridades MAPA: Dichelops melacanthus (percevejo-barriga-verde) em milho

    Prioridades MAPA: Dichelops melacanthus (percevejo-barriga-verde) em milho

    http://www.pioneersementes.com.br/blog/116/periodo-suscetivel-do-milho-ao-ataque-do-percevejo-barriga-verde-e-o-efeito-do-tratamento-de-sementes-industrial-para-controle

    http://www.roundupreadyplus.com.br/2018/wp-content/themes/rrplus/assets/boletins/artigo_08.pdf

    https://www.agrolink.com.br/problemas/percevejo-barriga-verde_512.html

    https://www.gea-esalq.com/informativo-gea-percevejo-bar-verde

    https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1019899/1/FL08528.pdf

  • Guia Rápido #3: Anticarsia gemmatalis – A desfolhadora mais comum na soja no Brasil.

    Guia Rápido #3: Anticarsia gemmatalis – A desfolhadora mais comum na soja no Brasil.

    Crédito: InsectImages.com

    Esta é uma espécie de ocorrência tropical e subtropical, que pode ser encontrada desde o sul dos Estados Unidos da América do Norte até a Argentina.  Na cultura da soja, na maioria das regiões brasileiras ela é considerada a principal praga e ocorre desde o período vegetativo até o final da floração. Devido a diferenças de temperatura e nutrição da praga, sua dinâmica populacional pode ser variável em diferentes regiões. Sua ocorrência costuma ser maior entre novembro e março, com pico populacional em janeiro nas áreas mais ao norte e em fevereiro em áreas mais ao sul. Além de soja, A. gemmatalis tem preferência por atacar outras leguminosas (como feijão, amendoim e ervilha), mas pode ser encontrada infestando também algodão, arroz, batata, brócolis, cana-de-açúcar, fumo, mandioca, maracujá, milho e seringueira.

    Os adultos desta espécie são mariposas que medem de 30 a 38 mm de envergadura. Apresentam coloração que varia entre cinza, marrom e bege, mas que tem como característica uma linha transversal escura que cruza ambas as asas diagonalmente.

    As fêmeas desta espécie costumam colocar os ovos de forma isolada na face inferior das folhas (por isso é mais fácil encontrar esta espécie em campo nestes locais), sendo que as posturas são maiores quando ocorre a diminuição da temperatura e aumento da umidade. Os ovos são esféricos, de aproximadamente 0,6 mm de diâmetro. Inicialmente apresentam a coloração verde-claros e com o passar do tempo tornam-se marrom avermelhado. Cerca de 3 a 5 dias depois ocorre a eclosão das lagartas.

    Quando pequenas (até 1 cm), as lagartas podem ter coloração verde ou preta, com 4 pares de pernas abdominais, duas delas vestigiais, e mais um par terminal. Com isso, se locomovem medindo palmos e podem ser confundidas com lagartas pequenas da falsa-medideira (Chrysodexis includens).  Quando maiores que 1,5 cm, a coloração também pode ser tanto verde quanto preta, com 3 linhas longitudinais brancas no dorso. Em condições de altas infestações ou escassez de alimento, as lagartas tornam-se escuras.

    Entram na fase de pupa no solo, numa profundidade de até 2 cm. A duração dessa fase varia conforme a temperatura, durando cerca de 9 a 11 dias.

    Um comportamento característico desta espécie é de, quando perturbada, se jogar no solo.

    Danos

    O principal dano da lagarta-da-soja é a desfolha das plantas. Nos primeiros ínstares (lagartas até 10 mm) o consumo foliar é muito pequeno e feito por meio de raspagem do parênquima foliar (causando pequenas manchas claras). A partir do terceiro ínstar elas conseguem perfurar as folhas, sendo que do quarto ao sexto ínstar as pragas consomem, aproximadamente, 95% do total de consumo foliar. Por isso é importante controlar essa praga quando as lagartas ainda estão pequenas. Em altas populações elas podem provocar desfolhas nas plantas de mais de 30% da área foliar, em geral no terço superior das plantas, causando grandes perdas na lavoura.

    Podem causar até 100% de desfolha se não controladas a tempo e se alimentar até mesmo de flores e vagens.

    Controle

    O monitoramento de lagartas de A. gemmatalis para avaliar a densidade populacional é fundamental para a proteção da lavoura e deve ser feito constantemente, por meio de amostragens. Esse procedimento auxilia o manejo integrado da praga, com técnicas de rotação de culturas, controle biológico ou controle químico.

    Para o controle químico, deve-se iniciar quando forem encontradas aproximadamente 40 lagartas grandes (com 1,5 cm ou mais) por pano-de-batida em duas fileiras de plantas, ou em menor número se a desfolha atingir 30%, antes da floração, e 15% tão logo apareçam as primeiras flores.

    O controle biológico com Baculovírus está sendo muito utilizado para o controle de A gemmatalis. No processo de infecção, após o Baculovírus ser ingerido pela lagarta-da-soja, a lagarta fica debilitada, perde a capacidade de alimentação e a mobilidade, vindo a morrer em torno do sétimo dia da aplicação do produto biológico e liberando mais vírus sobre as folhas, que servem de inóculo para contaminar novas lagartas.

    Para utilizar o controle biológico, deve-se considerar as seguintes condições:

    1- Período de estiagem ou plantas menores que 50 cm: Aplicação se encontradas no máximo 20 lagartas pequenas ou 15 lagartas pequenas e 5 grandes (maiores que 1 cm) por pano de batida em duas fileiras de plantas com 1 metro de comprimento

    2- Chuva normal ou plantas maiores que 50 cm: Aplicação quando forem encontradas, no máximo, 40 lagartas pequenas ou 30 lagartas pequenas e 10 grandes por pano de batida.

    Pesquisas com A. gemmatalis

    Na Pragas.Com buscamos viabilizar as pesquisas agrícolas com A. gemmatalis, para acelerar o desenvolvimento de tecnologias para o controle dessa praga. Para isso, mantemos criação desta espécie em laboratório para fornecimento para estudos com mais praticidade e baixo investimento, bem como demais insumos como bandejas, gaiolas e dieta artificial própria para esta espécie.

    https://www.agrolink.com.br/problemas/lagarta-da-soja_37.html

    https://www.koppert.com.br/desafios/lagartas/anticarsia-gemmatalis/

    https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/182406/1/2018BP02.pdf

    http://www.cotapel.com.br/noticia.php?not_id=2356

    http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/ABQIbvMGaRe80QG_2013-5-3-15-24-32.pdf

    https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11146/tde-20200111-123711/publico/MagriniElianaAparecida.pdf

  • Guia rápido #2: o que você precisa saber sobre o percevejo-marrom (Euschistus heros).

    Guia rápido #2: o que você precisa saber sobre o percevejo-marrom (Euschistus heros).

    O percevejo-marrom é um inseto sugador de hastes, plântulas, ramos e vagens, com incidência mais comum em culturas como a soja, algodão e milho. Ele apresenta, ao longo de seu desenvolvimento, cinco instares, até chegar em sua fase adulta.

    Sua incidência é maior em regiões quentes, ocorrendo do norte do Paraná ao Brasil central, mas tem sido visualizada sua aparição em regiões frias também. O inseto pode se esconder por até cinco meses sob os resíduos vegetais e plantas hospedeiras permanecendo em diapausa, a espera da nova safra para onde migrará.

    É a espécie de percevejo mais abundante e de maior dificuldade de controle nas lavouras de soja, principalmente devido aos altos níveis populacionais no campo, e por o adulto ter uma longevidade grande, de 80 a 116 dias.

    No caso da soja, cultura em que se faz a principal praga, os danos acabam reduzindo a produção, e ocasionando retenção foliar devido à injeção de toxinas, dificultando a colheita, e aumentando a umidade dos grãos colhidos. Contudo, o maior prejuízo ocorre quando são atacadas as vagens, ocasionando má formação e o sintoma de “grãos chochos”.

    A entrada dos insetos na lavoura se dá durante a floração (compreendida entre R1 e R2), e a incidência se torna crescente com a reprodução. Após esse período, o monitoramento deve ser constante, pois caso seja verificada populações elevadas, poderá ser necessária a tomada de decisão para o manejo, de modo a reduzir o nível populacional antes de entrar em R4 (fase final de desenvolvimento das vagens), momento com maior potencial de dano.

    Controle

    Atualmente para o controle, pode-se utilizar dos inseticidas registrados, contudo, tem sido a sobrevivência dos indivíduos após a aplicação que vem sendo estudada.

    Deste modo, deve ser adotada a rotação de diferentes táticas de controle, de modo a evitar a seleção de resistência dos percevejos-marrom.

    Dentre as opções de controle biológico, o uso das vespas Telenomus podisi e Trissolcus basalis tem se mostrado eficiente, com taxas de parasitismo de ovos correspondendo a 80% e 60%, respectivamente.

    Percevejo-marrom para pesquisas? A Pragas.com tem!

    Os percevejos-marrom (Euschistus heros) fazem parte do portfólio de hemípteros produzidos pela equipe da Pragas.com! Se você está desenvolvendo algum estudo/experimento que necessite da espécie, entre em contato conosco!

    Temos fornecimento deste e outros insetos-pragas, em várias fases e com disponibilidade o ano todo. E claro, com a qualidade e excelência que são marcas registradas da Pragas.com!

    Quer saber mais? Entre em contato com a gente e solicite um atendimento!

    Fontes:

    https://www.agro.bayer.com.br/alvos/percevejo-marrom

    https://www.irac-br.org/euschistus-heros

    https://blog.aegro.com.br/percevejo-marrom/

  • Guia Rápido #1: Anthonomus grandis (Bicudo-do-algodoeiro), novidade no portfólio da Pragas.com.

    Guia Rápido #1: Anthonomus grandis (Bicudo-do-algodoeiro), novidade no portfólio da Pragas.com.

    (Foto: USDA APHIS PPQ - Oxford, North Carolina)

    Hoje é dia de falarmos sobre o Anthonomus grandis, mais conhecido popularmente como o Bicudo-do-algodoeiro, considerado a principal praga da cultura, e que pode causar perda de até 70% na produção se não controlados da maneira correta.

    Lembrando que esta série especial de posts faz parte dos novos conteúdos produzidos pela equipe da Pragas.com, abordando espécies que fazem parte do nosso portfólio de organismos-alvo para pesquisas agrícolas. Se você quiser saber mais sobre nossos produtos, entre em contato com nossos especialistas!

     

    Anthonomus grandis – o que é?

    O bicudo-do-algodoeiro (nome popular ao qual é conhecido o Anthonomus grandis) é um inseto que apresenta quatro fases de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto. Esta espécie, durante o ciclo do algodão, pode produzir de três a sete gerações.

    Logo após a migração dos adultos para a cultura, no momento do florescimento, ocorre o ataque aos botões florais. A fêmea coloca um ovo por orifício, mas, em casos onde a taxa de infestação é maior que 50%, podem ocorrer até cinco orifícios de oviposição por botão floral.

    Depois de três a quatro dias, os ovos do Anthonomus grandis eclodem, dando origem as larvas que vão consumir e destruir internamente as fibras e sementes, impedindo sua abertura normal e deixando as fibras do algodão em um tom mais escuro.

    Após isso, parte da população se desloca para os restos culturais, entram em diapausa ou hibernação, até que se inicie um novo ciclo da cultura.  As condições favoráveis para o desenvolvimento do inseto são umidades relativas entre 60% e 98%, e temperatura média de 25ºC.

    Os danos provocados pelo bicudo do algodoeiro podem variar de acordo com a região, causando perdas de até 70% se não controlados, já que devido ao seu ataque, a lavoura apresenta grande estágio vegetativo e abscisão dos frutos, reduzindo muito a sua produtividade.

    É muito importante fazer o plantio em épocas recomendadas de acordo com a região, para que todos os agricultores plantem na mesma época, evitando que haja abrigo durante a entre safra.

    Não é exagero quando consideramos, como dissemos acima, que o bicudo-do-algodoeiro é capaz de causar perdas de 70% na produção, e isso se deve por sua alta capacidade de reprodução na lavoura, e seu instinto (e poder) destrutivo.

    Como citado anteriormente, inicialmente os botões florais são atacados por adultos que migram para cultura no momento florescimento – depois do ataque, as brácteas ficam abertas e, logo na sequência, caem.

    Este ataque faz com que a aparência das flores se pareça com a de um balão, e isso ocorre por conta da abertura anormal das pétalas. Já, quando o dano ocorre nas maçãs do algodoeiro, o que observamos são perfurações externas, resultado dos hábitos de alimentação e oviposição da espécie.

    O período de favorecimento da praga são épocas chuvosas, já que a umidade conserva os botões atacador por um período maior. Além disso, é orientado fazer o plantio em épocas recomendadas de acordo com a região, para que todos os agricultores plantem na mesma época, evitando que haja abrigo durante a entre safra.

     

    Controle

    Dado que o nível de controle se baseia na porcentagem de estruturas reprodutivas atacadas, é muito importante se atentar ao monitoramento, para uma tomada de decisão efetiva. Armadilhas contendo feromônio podem ser utilizadas para coleta de adultos.

    Devido a sucessão de cultivos, o desenvolvimento da praga é favorecido. Além disso, a fisiologia do algodão dificulta o manejo da praga por apresentar crescimento indeterminado, ou seja, em uma mesma planta encontra-se botões florais, flores, maçãs e capulhos abertos; em ambos os casos, há contribuição para a oferta de alimento contínua. Medidas como a adoção do vazio sanitário ajudam no controle dessa praga em especifico.

     

    Referências para este artigo

    https://www.grupocultivar.com.br/artigos/manejo-efetivo-do-bicudo-do-algodoeiro

    https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/189564/1/doc216.pdf

    https://www.agrolink.com.br/problemas/bicudo_29.html

  • Somos Destaque no Site da ESALQtec.

    Somos Destaque no Site da ESALQtec.

    O site da Esalqtec fez uma matéria com as empresas de maior destaque no chamado “Vale do Piracicaba”, inspirado no Vale do Silício, situado na Califórnia, onde estão as maiores empresas de tecnologia do mundo.
    A matéria completa está disponível no link: https://www.esalqtec.com.br/site/no-vale-o-inicio-do-sucesso/

    “O mundo de startups possui diversos casos de empresas que iniciaram os trabalhos do zero, ou seja, de uma simples “garagem”, não possuíam nem um escritório formal. O “Silicon Valley” por exemplo, situado na Califórnia, é um caso clássico de ecossistema tecnológico que inspirou empresas deste tipo, como, Facebook, Google, Microsoft e a HP, iniciada em 1938 no número 367 da Addison Avenue, em Palo Alto, por William Hewlett e David Packard. Uma placa Fixada tem as seguintes palavras: “Local de nascimento do Vale do Silício”. A HP abrigou dois jovens funcionários iniciando a carreira: Steve Jobs, que tempos depois disse que ali foi a base do que seria a Apple, e seu futuro sócio, Steve Wozniak. Podemos relacionar a história e a mentalidade destas empresas com diversas Startups que também começaram dentro de uma “garagem”, através de uma ideia surgida em tempos de universidade ou a convivência junto a outros empreendedores visionários da tecnologia.

    O Vale do Silício é uma das maiores aglomerações de empresas com domínio de tecnologia de ponta do mundo. Piracicaba, no interior do estado de São Paulo, busca seguir a mesma base, porém com o foco em outro ramo, o agronegócio, o chamado “Negócio do Brasil”. A história da cidade com o agro surgiu através da cana de açúcar e da visão de empreendedores como Luiz de Queiroz e de Mario Dedini. Atualmente, com o apoio de ambientes de geração de conhecimento, como universidades (Ex: ESALQ e CENA, da USP), centros de Pesquisa e ambientes de Inovação como a ESALQTec Incubadora Tecnológica. Consolidou-se o “Agtech Valley”, ou seja, o Vale do Piracicaba, um movimento gerado com o objetivo de fortalecer a identificação da sociedade local com o ecossistema tecnológico, estimulando o desenvolvimento de pesquisas e inovações para a agricultura na região.

    O Vale do Piracicaba / Agtech Valley possui diversas Agtechs (Startups do Agro) de diferentes áreas, tendo a ESALQ/USP como centro de gravidade, de onde surge os chamados “spin offs” acadêmicos, alunos da graduação e pós graduação com disposição de empreender e transformar a pesquisa em produtos e serviços inovadores. Vários casos de empresas residentes e associadas da ESALQTec surgiram desta maneira, iniciando do zero.

    Pragas.com:
    Para transformar um projeto da universidade em uma startup reconhecida no país requer muito estudo e preparação, foi assim que iniciou a trilha da Pragas.com de Cristiane Tibola, formada em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Pelotas – UFPEL. Em fase final de seu estágio na Embrapa do RS, em 2009, Tibola trabalhava com criações de insetos-praga, tendo em vista que algumas empresas dos EUA vendiam insetos (destacado em uma reportagem), a produtora pensou em transformar seu projeto científico em negócio.

    Felizmente, Tibola obteve a resposta no dia seguinte: “quando conheci meu sócio, ele precisava de insetos para suas pesquisas, porém não estava encontrando áreas com infestação natural para implantar seus experimentos. Foi quando tivemos a ideia de produzir os insetos na Universidade e através de um projeto fornecer para que ele fizesse seus trabalhos. O resultado foi um sucesso e partir daí começamos a planejar a Pragas.com”.

    O caminho não é fácil, foi necessária uma análise do mercado e perspectivas do setor, em 2014 se iniciou o projeto Pragas.com na ESALQTec, já no ano seguinte a startup realizava a produção dos organismos-alvo em laboratório, com foco em atender o mercado de pesquisa agrícola no Brasil. Em 2018 a empresa mudou para sua biofábrica implantada em Piracicaba, podendo ampliar suas atividades com fornecimento de serviços e de insumos biológicos para empresas de controle biológico, um trabalho pioneiro no Brasil.

    Tibola afirma que as principais dificuldades foram: “a montanha russa de emoções que um empreendedor vive diariamente, as incertezas se teríamos sucesso ou não, se as escolhas foram as mais adequadas e a responsabilidade de estar à frente de uma empresa gerindo pessoas, processos e produtos, além obviamente de toda a responsabilidade de atender e entregar os melhores produtos e serviços aos nossos clientes”. O diferencial da empresa foi o planejamento produzido e a gestão do negócio.

    A empreendedora também destaca sua passagem pela ESALQTec e a importância do Vale do Piracicaba: “O suporte oferecido pela incubadora ESALQTec foi determinante para o sucesso da Pragas.com. Estamos inseridos em um ambiente que promove o empreendedorismo e a inovação no Agro, além de fazer parte do Vale do Piracicaba, um ecossistema de empresas de base tecnológica responsáveis por soluções para diversos segmentos do agronegócio. Ganhamos visibilidade e notoriedade estando na ESALQTec, além do “carimbo” ESALQ que vem junto a incubadora. Graças a este período, tivemos diversas oportunidades de aporte financeiro (FAPESP, FINEP, Investidores anjos, Venture capital, etc) e de divulgação do nosso projeto, engrandecendo e consolidando a Pragas.com”.

    Atualmente, a associada possui 25 colaboradores e busca finalizar a segunda unidade da empresa, também em Piracicaba que contará com ampliação da biofábrica e casas de vegetação visando atender cada vez melhor os clientes. Alinhada as exigências do mercado a Pragas.com® se mantem firme na sua missão de ajudar o Brasil a alimentar o mundo, através de soluções inovadoras para viabilizar pesquisas agrícolas e o controle biológico de pragas.”

  • Vírus do bem? Sim, eles existem!

    Vírus do bem? Sim, eles existem!

    Diante do caos que estamos vivendo pela pandemia causada pelo corona vírus, o olhar sobre os vírus de forma geral tem sido bastante crítico, e não é para menos, haja visto o poder de destruição que eles podem causar. Na agricultura, por exemplo, temos vários vírus que causam doenças para as plantas e consequentemente comprometem a produtividade das culturas. Porém, existem alguns vírus que ajudam a agricultura ser mais sustentável e rentável, do ponto de vista de fornecer à mesa do consumidor produtos mais saudáveis e com menos aplicação de produtos químicos.

    Existem muitos vírus benéficos, que ajudam o homem.
    Foto: Lagarta do cartucho do milho, Spodoptera frugiperda morta pela ação Baculovírus Spodoptera.

    Esse é o caso do Baculovírus Spodoptera, um vírus que ajuda os agricultores no controle da lagarta do cartucho do milho, Spodoptera frugiperda. É o que podemos chamar de um vírus do bem, que faz o controle biológico das lagartas no campo.

    O Baculovírus Spodoptera é um bioinseticida seletivo aos inimigos naturais e é formulado a partir do baculovirus Spodoptera frugiperda. Esse bioinseticida vem se mostrando uma excelente ferramenta para uso no controle da lagarta do cartucho do milho, tanto pela sua eficácia quanto pelo residual.

    O controle das lagartas ocorre após a ingestão do bioinseticida contendo o baculovírus, onde os poliedros virais estão inseridos, agindo diretamente nas células do intestino que por possuir pH alcalino, solubiliza os cristais de poliedros virais, provocando a infecção. Posteriormente, há redução do consumo do inseto e de sua locomoção, levando o mesmo a morte alguns dias após a ingestão.

    O uso do baculovírus como agente biológico no controle de lepidópteros-praga tem sido bastante difundido, devido a sua especificidade e seletividade, alta eficiência de mortalidade de insetos-praga, facilidade de manipulação e possibilidade de produção em larga escala, tornando-o seguro e ambientalmente correto. Eles são capazes de infectar, especificamente, espécies de insetos-praga importantes para a agricultura e não faz mal à saúde de seres humanos ou a de qualquer outro animal.

    Foto: Bioinseticida a base do Baculovírus Spodoptera.

    As perspectivas para o controle biológico são imensas, ilimitadas no Brasil e no mundo. O mercado o uso de biodefensivos, ou seja, produtos à base de fungos, bactérias e vírus que controlam doenças e pragas, assim como de insetos predadores e parasitoides, que combatem pragas, tem crescido à índices expressivos nos últimos anos.

    A crescente demanda por produtos biológicos acompanha a maior preocupação dos consumidores em terem um alimento com menores teores de produtos químicos. Isso porque, apesar do controle biológico não excluir o uso de alternativas químicas no manejo das culturas, ele se dá pela regulação de pragas e doenças por meio de seus inimigos naturais – agentes da natureza, de verdade, contribuindo para que o agricultor gere alimentos ainda mais acessíveis de forma segura e sustentável.

    Autora: Cristiane Maria Tibola
    CEO da Pragas.com

  • Como são descobertos os inimigos naturais para Controle Biológico?

    Como são descobertos os inimigos naturais para Controle Biológico?

    O controle biológico pode ser visto de três formas diferentes: como um campo de estudo para diferentes áreas, como um fenômeno natural – pois quase todas as espécies possuem inimigos naturais que atuam no controle da população -, ou como uma estratégia sustentável de controle de pragas e doenças da agricultura por meio de parasitoides, predadores e patógenos.

    Podemos classificar o controle biológico em 3 tipos:

    • Natural: feito pelos inimigos naturais já existentes no ecossistema, o que acarreta no equilíbrio da natureza.
    • Clássico: controle a longo prazo. É realizado pela introdução de poucos indivíduos para controle de pragas exóticas. As liberações são realizadas por uma ou mais vezes no mesmo local. É aplicado em culturas semiperenes e perenes.
    • Aplicado: ocorre a partir da liberação de populações de insetos criados em laboratório. Tem ação rápida, controlando a praga de forma semelhante aos produtos químicos.

    Os parasitoides, predadores e patógenos podem ser insetos, ácaros, fungos, bactérias vírus, ou nematoides. Todos esses organismos podem ser chamados de agentes biológicos ou, inimigos naturais.

    Controle biológico: uso de organismos vivos para o controle de determinada praga, diminuindo sua população e deixando-a menos danosa.

    Praga: qualquer espécie, linhagem ou biótipo de uma planta, animal ou agente patogênico, daninho ou potencialmente daninho para os vegetais ou animais (EMBRAPA).

    Agentes biológicos são organismos benéficos capazes de diminuir a população de uma praga ou doença, para que não haja danos econômicos na lavoura.

    Esses agentes fazem parte do controle biológico de pragas e doenças e são peças fundamentais no Manejo Integrado de Pragas, o MIP. Identificar, estudar suas características e o potencial de controle de cada agente biológico requer dedicação e muito tempo dos pesquisadores que trabalham nessa área.

    Inimigos naturais: produtos para controle biológico

    A primeira etapa no processo de desenvolvimento de produtos para o controle biológico é o levantamento e coleta de inimigos naturais na natureza. As pesquisas começam pela reprodução do ambiente natural e avaliação das relações que ocorrem entre os organismos vivos na natureza.

    A partir do monitoramento, os insetos ou o resultado da atuação dos microrganismos nas pragas alvo são coletados e levados para os laboratórios das empresas de controle biológico, institutos de pesquisa ou universidades.

    Nos laboratórios são desenvolvidos os processos de isolamento, identificação, caracterização e avaliação da eficiência dos organismos como agentes de controle biológico. Essa etapa da pesquisa pode durar um longo período, passando por anos de estudos.

    Quando os pesquisadores conseguem as respostas e os resultados dos testes realizados, é iniciada a etapa do desenvolvimento de produtos à base dos agentes de controle biológico. Nessa fase, os produtos são levados à campo para testes de eficiência e segurança. Os testes a campo precisam ser realizados por mais de uma safra, para que os resultados sejam confiáveis.

    Depois de alguns anos, desde o monitoramento dos agentes biológicos, até o final dos testes de campo, os produtos precisam ser registrados e avaliados peço Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),  e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A avaliação do produto por esses três órgãos governamentais os classifica quanto ao impacto que podem causar ao meio ambiente e quanto as recomendações de uso mais seguras.

    Produtos de controle biológico à base de fungos

    Os fungos são um grupo especial de microrganismos para o controle biológico. Essa diferenciação ocorre porque os fungos têm a forma de controle ativa, ou seja, não precisam ser ingeridos para que possam controlar os insetos.

    Os fungos foram os primeiros patógenos utilizados para o controle de insetos. Mais de 700 espécies de fungos de aproximadamente 90 gêneros, são responsáveis pelo controle de insetos em todo o mundo.

    Um dos fungos mais utilizados no controle biológico é o da espécie Metarhizium anisopliae. Esse fungo foi isolado de um coleóptero que causava danos em cereais em 1879. O Anisoplia austriaca, foi descrito por Sorokin anos mais tarde, em 1883.

    No Brasil o M. anisopliae é utilizado desde 1965 para o controle da cigarrinha da cana. O fungo também tem efeito de controle em outros insetos, como a broca da cana, percevejo da soja, broca do café, entre outros.

    Os produtos à base de M. anisopliae são formulados a partir dos conídios do fungo. Para o desenvolvimento dos produtos, são necessárias pesquisas sobre a viabilidade e virulência do microrganismo. A viabilidade dos conídios precisa ser maior que 85%, em sua germinação.

    Conídios: são os esporos assexuados dos fungos. É o modo mais comum da reprodução assexuada dos fungos.

    Outras pesquisas sobre armazenamento, temperatura ideal de armazenagem, embalagens e os tipos de formulação também são realizadas. Para os produtos à base de fungos, as formulações podem ser:

    • Pó e Pó molhável.
    • Granulados.
    • Óleo emulsionável.
    • Pasta.
    • Encapsulados.
    • Iscas.

    Outras espécies de fungos importantes no controle biológico, são: Beauveria bassiana; Verticillium lecanii; Neozygites floridana; Neozygites aphidis; Nomuraea rileyi; Hirsutella thompsonii; Colletotrichum gloeosporioides; Fusarium spp.; Aschersonia aleyrodis.

    Produtos de controle biológico à base de bactérias

    As bactérias têm sido amplamente estudadas para uso no controle biológico. Esse grande interesse surgiu por conta da possibilidade de fabricação desses microrganismos por meio do processo de fermentação. Além disso, as bactérias representam o maior grupo de entomopatógenos, com um grande número de produtos formulados sendo comercializados em todo o mundo.

    As bactérias entomopatogênicas podem ser esporulantes ou não-esporulantes, anaeróbias obrigatórias ou facultativas e sua infecção ocorre por via oral. As bactérias que possuem esporos, possuem cristal proteico, composto por proteínas tóxicas, que exercem efeito sobre os insetos-praga.

    Organismos anaeróbios: são organismos que não necessitam de oxigênio para seu crescimento e desenvolvimento.

    Bacillus thuringiensis (Bt)

    O Bacillus é o principal grupo de bactérias, e é responsável pelo maior número de produtos biológicos comerciais. Assim como para os produtos à base de fungos, as pesquisas iniciais precisam ser realizadas com foco em: estabilidade, armazenagem, temperatura, formulação, entre outras.

    O Bacillus thuringiensis (Bt) é a espécie mais conhecida e utilizada como bactéria de controle biológico. Atualmente existem 25 produtos comerciais registrados que usam o Bt como princípio ativo, em diferentes formulações: pó molhável; suspensão concentrada; concentrado emulsionável; granulado dispersível, e outras.

    Cadastre-se e receba conteúdos exclusivos da Pragas.com

    Produtos de controle biológico à base de vírus

    Os vírus patogênicos a insetos estão se tornando um importante nicho de produtos de controle biológico. Dentro deste complexo grupo de vírus entomopatogênicos, grande parte das pesquisas e do desenvolvimento de produtos é focado nos chamados baculovírus.

    Os baculovírus são um grupo de vírus patogênicos a artrópodes, pertencentes à família Baculoviridae, que atacam principalmente insetos das ordens Lepidoptera, Diptera e Hymenoptera.

    Os primeiros registros destes vírus foram descobertos em manuscritos chineses por volta do ano 1500, e relatam a influência deles em lagartas doentes do bicho da seda (Bombix mori).  O avanço de pesquisas acerca do uso da natureza viral da doença no manejo de pragas só se iniciou em 1947. Nos últimos 70 anos, já foram isoladas mais de 400 espécies de vírus com potencial para uso no controle de pragas.

    Sucesso do vírus no Brasil

    Um grande exemplo de sucesso de uso de vírus para controle biológico no Brasil, é o vírus Anticarsia gemmatalis MNPV como forma de controle da lagarta da soja. Mais de 2 milhões de hectares foram tratados por baculovírus no país.

    Os produtos à base de baculovírus são seguros, específicos para determinada espécie de praga e de fácil formulação e aplicação. Segundo dados fornecidos pelo AGROFIT, o Brasil possui pelo menos 17 produtos comerciais à base de baculovírus registrados atualmente. Com isso, novos produtos estão ganhando espaço no mercado, ajudando a promover uma agricultura mais sustentável.

    Insetos como produtos para controle biológico

    O princípio básico do controle biológico à partir de insetos como inimigo natural é simples: inseto se alimentando de inseto. Esses inimigos naturais podem ser predadores ou parasitoides, e são chamados de entomófagos.

    De maneira geral, os entomófagos precisam ter as seguintes características:

    • adaptabilidade às mudanças das condições físicas do ambiente.
    • especificidade ao hospedeiro/presa.
    • alta capacidade de crescimento populacional com relação a seu hospedeiro/presa.
    • alta capacidade de busca do hospedeiro/presa.
    • sincronização sazonal com o hospedeiro/presa.
    • sobrevivência nos períodos de ausência do hospedeiro/presa.
    • mostrar densidade recíproca (mudança populacional).

    Os insetos são multiplicados e criados em laboratórios específicos e após, são vendidos em unidades

    Utilizando insetos como inimigos naturais nas lavouras

    Os insetos de controle biológico são soltos nas lavouras de forma estratégica e programada. Essa estratégia é elaborada junto com o técnico da empresa de criação dos insetos, e considera a densidade populacional do inseto-praga para a regulação e controle dos insetos.

    Um produto muito utilizado hoje no Brasil é a vespa Trichogramma galloi, que tem muita eficiência no controle da broca da cana-de-açúcar. A vespa ataca os ovos da mariposa da broca, inoculando seus próprios ovos dentro dos ovos da praga alvo – que também chamamos de hospedeiro -, impedindo que a lagarta, que ainda está em formação, ecloda e se alimente das plantas.

    Mesmo sendo à base de insetos, esse tipo de produto biológico precisa passar por toda a pesquisa e processo de registro e validação, como qualquer um dos outros produtos. Atualmente existem seis produtos registrados para controle biológico que contam com a vespa T. galloi como ingrediente ativo.

    Insumos biológicos: peças importantes para pesquisas sobre controle biológico

    A Pragas.com é uma empresa de soluções inovadoras que acredita no potencial das descobertas que vem acontecendo no país em torno do controle biológico. Para dar suporte a toda uma cadeia em larga expansão, hoje a empresa fornece insumos biológicos para facilitar a padronização dos processos de desenvolvimento de produtos biológicos, tornando essa atividade cada vez mais rentável e sustentável.

    Para conhecer toda linha de insumos biológicos da Pragas.com, acesse nosso portfólio:
    https://pragas.com.vc/produtos/insumos-biologicos

    Para falar com um especialista:
    (19) 3413-0026 | 98263-2021
    contato@pragas.com.vc

  • O Controle Biológico hoje

    O Controle Biológico hoje

    O controle biológico pode ser realizado por diferentes organismos e substâncias naturais. Sendo eles macro ou microrganismos, extratos vegetais ou derivados de rocha. Atualmente o controle biológico deixou de ser um controle alternativo e já faz parte do manejo da lavoura, durante todo o ciclo da cultura.

    controle biológico Lavoura de soja

    Lavoura de soja.

    A crescente demanda por produtos biológicos acompanha a maior preocupação dos consumidores em terem um alimento com menores teores de produtos químicos. Isso porque, apesar do controle biológico não excluir o uso de alternativas químicas no manejo das culturas, ele se dá pela regulação de pragas e doenças por meio de seus inimigos naturais – agentes da natureza, de verdade.

    Agente biológico: são organismos benéficos capazes de diminuir a população insetos-praga ou doenças, mantendo-as abaixo do nível de dano econômico. Os agentes biológicos também são chamados de inimigos naturais ou agentes de controle biológico.

    Agronegócio + Controle

    controle biológico Ovos inviabilizados de Euschistus herus

    Ovos inviabilizados de Euschistus herus

    No Brasil, existem mais de 200 produtos de origem biológica registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para serem utilizados no controle de pragas e doenças. Além desses, o mercado de biológicos é composto por biodefensivos sem registro, biodefensivos registrados como fertilizantes e biodefensivos caseiros, segundo a Associação Brasileira das empresas de Controle Biológico (ABCBio).

    Ainda de acordo com a ABCBio, o mercado em torno dessas tecnologias movimenta cerca de R$500 milhões no Brasil. Pesquisa realizada pela Associação em parceria com o Informa Economics FNP, justifica esse número ao revelar que, de 2016 para 2017, o uso do controle biológico aumento 25% por hectare no Brasil.

    Quais produtos integram o Controle Biológico?

    Existem diferentes produtos disponíveis no mercado e podemos classificá-los em função da natureza do agente biológico:

    • Macroorganismos: insetos, ácaros e nematoides. Parasitam e predam as pragas.
    • Microorganismos: fungos, bactérias, vírus. Infectam e/ou colonizam as pragas, atuando em diferentes sistemas do organismo infectado.
    • Bioquímicos: extratos de plantas, algas, enzimas e hormônios. Atuam como estimulantes, induzindo mecanismos de defesa das plantas.
    • Semioquímicos: metabólitos associados à comunicação de organismos e utilizados em armadilhas para pragas (feromônios).

    Dentre os produtos mencionados na lista:

    • 40 são provenientes de bactérias.
    • 87 são provenientes de fungos.
    • 19 são produtos que tem vírus como agente biológico.
    • 42 têm insetos como origem.
    • 9 são de ácaros.
    • 1 produto é oriundo de nematóides.

    Nos produtos de natureza bioquímica e semioquímica, são registrados, 19 produtos de feromônios, 1 de hormônio, 8 de extratos vegetais e 1 proveniente de rocha.

    Controle biológico no MIP

    controle biológico Parte do porftólio da Pragas.com

    Parte do porftólio da Pragas.com

    Dentro do conceito de Manejo Integrado de Pragas, consideramos uma série de iniciativas que, quando realizadas de forma coordenada e em conjunto, conseguem trazer resultados para o agricultor. O MIP, como é conhecida essa estratégia, envolve desde o trabalho de monitoramento da lavoura, até o uso de herbicidas, inseticidas e o controle biológico.

    Ao integrar diferentes agentes, é possível atuar no campo de forma rentável e sustentável social, econômica e ambientalmente.

    A Pragas.com e o controle Biológico

    A Pragas.com é uma empresa que entrega soluções inovadoras no mercado de Controle Biológicos. Entendendo os diferentes fatores que envolvem essa cadeia, fornecemos:

    • Insumos biológico.
    • Organismos alvo.
    • Suprimento para pesquisas.
    • Serviços especializados na área de entomologia.

    Fale com a gente!
    (19) 3413-0026 | 98263-2021
    contato@pragas.com.vc

  • A Pragas.com foi graduada no Prêmio Empreendetec 2019!

    A Pragas.com foi graduada no Prêmio Empreendetec 2019!

    A Pragas.com foi uma das empresas graduadas no Prêmio Empreendetec 2019, que aconteceu no Parque Tecnológico, em Piracicaba, na última terça-feira, dia 08.

    No evento estiveram presentes o vice-diretor da ESALQ-USP, professor Dr. João Spoti Lopes, que também foi homenageado durante o evento, o vice-prefeito de Piracicaba, Sr. José Antônio de Godoy, que aproveitou a ocasião para desejar “um futuro brilhante às empresas homenageadas”.

    O gerente executivo da incubadora ESALQTec, Sr. Sérgio Marcus Barbosa, destacou em seu depoimento que a cidade de Piracicaba é reconhecida como o Vale do Silício da tecnologia para a agricultura.

    Após as homenagens e os depoimentos das empresas que também iniciaram sua trajetória na incubadora, a CEO da Pragas.com Cristiane Maria Tibola e o diretor comercial Leandro Silva, receberam das mãos do professor Dr. José Roberto Postali Parra, o certificado da 18ª empresa a graduar-se na incubadora.

    “Receber o prêmio Empreendetec é a coroação do esforço e dedicação na construção da Pragas.com. Nos sentimos honrados e felizes de receber este prêmio, onde nele, mais do que o mérito, podemos reconhecer o carinho e a consideração da ESALQ/USP e da Incubadora Esalqtec. Estendemos este prêmio a todos os colaboradores que nos ajudaram e ajudam a fazer a Pragas.com acontecer”, agradeceu Cristiane em seu discurso.

    O time de colaboradores da Pragas.com também esteve presente para acompanhar as homenagens, celebrar a graduação e também os cinco anos de sucesso da empresa!

    Ao final, todos os diretores foram convidados a subir ao palco para fazer a foto oficial e, juntos com todos os presentes, se dirigiram ao salão inferior para o coquetel.

    A Pragas.com se alegra em obter mais uma conquista e seguirá sua missão de promover o desenvolvimento agrícola com soluções inovadoras, planos de expansão de seus serviços, além de oferecer novos produtos no portfólio de insumos biológicos para atender a demanda cada vez mais crescente de controle biológico.